domingo, 28 de agosto de 2011

EMBAIXADOR DA PALESTINA AMPLIA A CAMPANHA PELO ESTADO DA PALESTINA JÁ!


Embaixador da Palestina busca apoio na Aleac para criação de Estado

25 de Agosto de 2011


O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Al Zeben, discursou na tribuna da Aleac nesta quinta-feira, 25, solicitando apoio dos deputados para a criação de um Estado Palestino independente, que será defendido na próxima Conferência Anual da ONU, em setembro, pela presidente brasileira Dilma Roussef, entre outros chefes de governo e de Estado.

 “Se o ministro brasileiro Oswaldo Aranha, presidiu a conferência da ONU que criou o Estado de Israel em 1947, a presidente Dilma vai ler a mensagem para a criação do Estado Palestino”, lembrou Al Zeben.
O pronunciamento foi feito durante solenidade na Aleac. Atendendo a requerimento dos deputados Moisés Diniz (PCdoB), líder do governo, e Ney Amorim (PT), 1º secretário da Mesa Diretora, o presidente Elson Santiago (PP) suspendeu a sessão desta quinta-feirapara receber o embaixador e realizar uma solenidade de apoio à criação do Estado Palestino.

Moisés destacou que entre os deputados há vários com posições bem definidas pró-Israel, mas que permaneciam no recinto em deferência ao visitante. O líder do governo fez uma explanação ao embaixador sobre a história do Acre e suas semelhanças com a luta do povo palestino para ter um território e deixou claro que este projeto não tem bandeira política ou de raça, mas é um anseio de todos os que defendem uma sociedade livre.

Al Zeben, por sua vez, esclareceu que os palestinos vão à ONU, em setembro, não para fazer confusão, pedir sanções contra Israel ou negociar as fronteiras para assentamentos. “Estamos indo para sermos admitidos como a 194ª nação da ONU. É um direito do povo da Palestina. Por quê foi criado o Estado de Israel e não o da Palestina?”, indagou. “Isto é um ato de justiça”, concluiu. O embaixador informou que o Estado Palestino já tem o apoio de 130 países, entre os quais, o Brasil que o reconheceu em 1º de dezembro de 2010 pelo ex-presidente Lula.

O diplomata pediu apoio aos deputados dizendo que veio ao Estado para levar a voz dos acreanos aos ouvidos de Israel, dos Estados Unidos e das Nações Unidas. “Esperamos que todos os representantes do povo do Acre, independentemente da política interna, participem deste ato. Admitir a Palestina como Estado das Nações Unidas é um ato soberano e justo. Agradecemos esse espaço e juntos seguiremos à Palestina independentes e livres. Todos vocês são bem-vindos à Palestina”, conclamou.

Depois do pronunciamento do embaixador, as lideranças dos partidos se revezaram em homenagens ao povo palestino. O líder do PT, deputado Geraldo Pereira, fez pronunciamento em apoio aos palestinos comentando o quanto difícil deve ser a vida de famílias em uma região sob constantes bombardeios. “Só tem quem tem família lá sabe da pressa e da necessidade de ter reconhecido o lugar onde vive”, disse.

O ativista Abrahim Lhé Farhat, representante do povo palestino no Acre, também se pronunciou comparando a história da conquista do Acre com a luta no Oriente Médio, mas ressaltou que aqui o Tratado de Petrópolis, que estabeleceu as fronteiras, foi respeitado e vigora ainda hoje. Mas, no caso da criação do Estado de Israel, o tratado presidido pelo ministro brasileiro Oswaldo Aranha nunca foi respeitado. “A Lei da Partilha, assinada entre israelenses e palestino , com o testemunho de 55 nações, jamais foi cumprido por influência dos EUA e da Inglaterra, os satãs do mundo”, comentou.

Ao final da solenidade, o presidente Elson Santiago presenteou Al Zeben com uma obra em marchetaria do artista cruzeirense Maqueson e ganhou uma faixa da futura nação palestina.

Fonte: http://www.oriobranco.net/politica/17353-embaixador-da-palestina-busca-apoio-na-aleac-para-criacao-de-estado.html



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

BRAZIL SUPPORT THE SATE OF PALESTINE NOW!


The Palestinian people have the right to have their own state, a free, democratic and sovereign state!

State of Palestine NOW!

While the Palestinian people insist for fair peace for the conflict, successive Israeli governments still do not comply with numerous UN resolutions, refusing to negotiate peace with the withdrawal of their troops from the occupied Palestinian territories. 

Moreover, Israelis continue to build new settlements in Palestinian territories. More than eight thousand political prisoners are still kept in prison and peaceful demonstrations by Palestinians and Israelis who advocate the creation of the State of Palestine are violently suppressed. The construction of the apartheid wall or wall of shame - which was declared illegal by the International Court of Justice – goes on.  This wall, which is now about 750 km long, hinders free movement of persons and goods between Palestinian cities and villages and confiscates vast areas of farmland from Palestinians.

In September this year, the Palestinian Liberation Organization (PLO), internationally recognized as the sole legitimate representative of the Palestinian people, will request at the UN the approval of the State of Palestine as a full member of this organization, respecting the border lines of 1967 and including the Gaza Strip, the West Bank and East Jerusalem as its capital.

It is up to the UN, based on international law and its own resolutions (especially 181, from 1947, which recognizes the state of Palestine) to ratify and acknowledge the state of Palestine as a full member.

A just and lasting peace requires de facto creation of the State of Palestine, and its admittance as a full member of the UN, with all rights and duties that this decision implies. The recognition of a sovereign Palestinian state based on the end of the occupation, the eradication of the settlements, a solution to the problem of the return of refugees and that of Jerusalem, according to the UN's own resolutions, meets the fundamental interests of the peoples of the region.

We will support the popular mobilizations of Palestinians who struggle against the undemocratic government of Israel. We, members of organizations representing the people of Brazil, claim: supporting the Palestinian people is to support all people in their journey to peace, justice and freedom! Listen to the voices of the Brazilian people:

State of Palestine NOW!




domingo, 21 de agosto de 2011

Conceitos, legitimidade e estratégias da resistência palestina


Qual é o tipo de resistência ''certo''?


6 de Julho de 2011

Por Ibrahim Shikaki: diplomado pela UC Berkeley. Trabalha como investigador associado no Instituto de Investigação Económica da Palestina (MAS) e é um organizador da juventude residente em Ramallah.



Nos últimos seis meses, vários meios de comunicação social têm publicado artigos sobre o chamado "novo" movimento não-violento palestiniano. Dois erros têm acompanhado esses relatos e análises. O primeiro é o uso da palavra "não-violento", com as suas conotações; o segundo é o discurso em torno do movimento.

Infelizmente, a fonte desses artigos são muitas vezes meios de comunicação respeitados que informam honestamente sobre a causa palestiniana, incluindo Al Jazeera English. [...] Os artigos estão repletos de citações como "mas a resistência tradicional de queimar pneus e atirar pedras não mudará de um dia para o outro. Temos de dar ao mundo uma imagem de resistência palestiniana não-violenta"; e "continuaremos a actuar com a não-violência até que fique muito claro na imprensa internacional quem é que viola os direitos humanos".

1. A resistência palestiniana não-violenta é coisa que não existe

Para começar, o perigo de usar a expressão "resistência não-violenta" insinua que qualquer outra forma de resistência é violenta, daí dar-lhe um sentido negativo.

Em árabe, os palestinianos não distinguem entre resistência violenta e não-violenta, mas antes entre resistência armada e resistência popular. O povo palestiniano e as facções políticas apoiaram-se nas duas formas, assim como noutras, ao longo do século passado.

Na verdade, e contrariamente a outros regimes coloniais na África do Sul ou na Argélia, o objectivo do colonialismo sionista é o de limpar etnicamente a Palestina e expulsar o seu povo indígena. Por isso, pelo simples facto de existirem e de se manterem firmes na sua terra, os palestinianos estão a resistir.

Embora eu não pretenda defender aqui defender uma forma específica de resistência, tem de haver uma distinção clara entre duas noções distintas.

Por um lado, há tentativas de impor a ideia de que a não-violência é a única forma de resistência "permitida", portanto insinuando erradamente que outras formas de resistência são violentas, imorais ou ilegais. Por outro lado, um consenso geral entende a resistência como um direito legítimo do povo palestiniano, como o direito de qualquer povo que vive sob a opressão, colonização e ocupação estrangeiras.

Segundo esse ponto de vista, a resistência popular é mais eficaz do que a resistência armada nesta fase da luta. Devido à divergência entre estas duas visões, a expressão "violento" estendeu-se para abranger o lançamento de pedras aos tanques israelitas ou aos checkpoints militares fortemente armados.

Muitas formas diferentes de resistência popular caracterizaram a primeira Intifada, entre as quais as crianças a saltarem de casa em casa durante o recolher obrigatório para distribuir açúcar e farinha aos vizinhos, os jovens a jogar à bola nas esquinas das ruas para poderem avisar os grafiteiros quando passavam os carros militares, trabalho voluntário, greves e boicotes comerciais, assim como protestos de massa que incluíam o lançamento de pedras aos postos avançados armados e aos veículos militares.

A verdade é que enfrentar uma máquina de guerra brutal com pedras não é mais que um gesto simbólico. É um símbolo da grande desproporção entre o povo palestiniano e a máquina de guerra israelita.

Pedras atiradas aos tanques israelitas ou a outros veículos armados eram meios para o povo indígena da Palestina, de demonstrar a sua recusa da ocupação e da opressão. Jovens, mulheres, idosos e todos os sectores da sociedade participaram nesta forma de resistência.

As pedras podiam ser violentas, no entanto, quando usadas sistematicamente pelos soldados israelitas para esmagar os membros dos palestinianos, como parte da política ordenada por Yitzhak Rabin, então ministro da Defesa israelita, para "partir-lhes os ossos". O Knesset recusou investigar a ordem de Rabin e este nunca foi responsabilizado.

Além do mais, os meios de comunicação social que defendiam essas tácticas não-violentas escolheram ignorar por completo o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel. Embora não caiba nas duas formas de resistência referidas acima, ele só pode ser classificado como uma táctica estritamente não-violenta, que tem como objectivo pressionar Israel a respeitar as suas obrigações perante a lei internacional.

O crescimento evidente do movimento BDS e a pouca cobertura que tem sido dada aos seus êxitos pela maior parte dos principais meios de comunicação social só podem ser um indicador da hipocrisia da cobertura da resistência palestiniana: eles só falam das formas de resistência que classificam de relevantes – ou, atrevo-me a dizer, de válidas.

Por fim, é importante compreender o contexto do conflito palestino-israelita, muitas vezes apresentado como "complexo". Na realidade, e com o risco de sobre-simplificar, trata-se de um conflito entre um opressor e um oprimido. Dentro deste contexto, o uso da violência e da força pode ser perfeitamente exemplificado com as palavras de Paulo Freire:

"Nunca na história a violência foi iniciada pelos oprimidos. Como poderiam eles dar início à violência se eles próprios são o resultado da violência? Como poderiam eles ser os promotores de algo que, ao instaurar-se objectivamente, os constitui? Não haveria oprimidos se não houvesse uma relação de violência que os conforma como violentados. Inauguram a violência os que oprimem, os que exploram, os que não se reconhecem nos outros; não os oprimidos, os explorados, os que não são reconhecidos."

2. O discurso e a terminologia ocidentais

O segundo problema colocado por esta narração e pelo discurso em torno destes artigos é mais importante e merece mais críticas.

Os artigos apresentam o movimento actualmente chamado não-violento como a forma "correcta" de resistir, em que a opção dos palestinianos pelo método de resistência correcto demonstrará como merecemos que nos dêem os nossos direitos e independência.

Apresentar os nossos direitos à liberdade e à autodeterminação como dependentes do nosso método de resistência escolhido é, na melhor das hipóteses, errado e, na pior, racista.

Insinuar que os nossos direitos não foram respeitados porque não demonstrámos merecê-los liberta Israel da necessidade de respeitar a lei internacional e de nos garantir os nossos direitos básicos, e também desculpa os países hegemónicos ocidentais que recompensarem Israel com a impunidade total para que este continue com as suas violações e crimes.

É preciso tornar claro que o nosso direito ao retorno e a acabar com a ocupação, a colonização e o apartheid israelitas está garantido pelas convenções internacionais e que o seu cumprimento é um dever – independentemente dos métodos de resistência ou de quaisquer outros factores que escolhemos para chegar a esse fim.

Alem disso, sugerir que o protesto popular é um fenómeno novo na Palestina, onde "chegaram os verdadeiros manifestantes ao estilo não-violento de Martin Luther King", é uma distorção vergonhosa dos factos pela imprensa.

A resistência na Palestina, e em particular a resistência popular, tem mais de um século, onde a grande maioria da resistência à colonização sionista, ao mandato britânico e mais tarde à opressão de Israel tomou a forma de levantamentos civis e populares. A resistência popular palestiniana só pode ser ao estilo palestiniano! Os jornalistas têm de deixar de fazer jornalismo preguiçoso e estender o seu período de memória para além de dez anos.

Assim, é-nos permitido seguir os valores e as figuras ocidentais ou os exemplos de qualquer dos que eles acham aceitáveis, como Gandhi e Martin Luther King (MLK). E se nós quisermos um Che Guevara ou um Malcom X palestinianos quando todos os outros esperam pelo próximo "Gandhi palestiniano"?

Foram eles, apesar de tudo, que analisaram e se concentraram sobre a "estrutura internacional dos poderes ocidentais", uma estrutura que só desenvolveu as suas influência e ferramentas a partir dos anos 50 e 60. E, embora tenham o maior respeito pelos satyagraha de Gandhi e a batalha de MLK no movimento pelos direitos civis, os palestinianos não precisam de olhar para muito longe para encontrar modelos dentro da história e da herança da Palestina para meios alternativos de resistência.

Neste assunto, como noutros, a hipocrisia dos poderes ocidentais prevalece.

A democracia só é aceitável se os resultados forem aqueles que eles escolheram – nos países em vias de desenvolvimento só são permitidas as políticas económicas neoliberais que agradam aos verdadeiros eixos do mal (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio); e as comunidades queer pelo mundo fora têm de seguir os mecanismos ocidentais de orgulho e de defesa.

Embora estes todos sejam assuntos aparentemente diferentes, o mesmo paradigma se aplica a todos eles: as ideologias hegemónicas ocidentais e as formas de acção são usadas para medir a legitimidade de outras sugeridas pelo mundo fora.

Em particular para os palestinianos, o discurso é uma das questões-chave.

Israel tem o mundo nas suas mãos, não porque o ameaça pela força ou pelo poder militar, mas porque controla o discurso. É a razão pela qual, quando um grupo de israelitas assedia palestinianos e planeia assassinar um chefe de mesquita, os membros desse grupo são referidos na imprensa como "bandidos e gangs", ou classificados de mentalmente instáveis, como Baruch Goldstein – nunca como "terroristas" ou "extremistas".

Isto assemelha-se aos processos de controlo indirecto aplicados através de séculos de colonialismo, o mesmo lugar-comum foi usado para reforçar o poder dos colonizadores: os bárbaros primitivos vs o povo iluminado.

Uma recente campanha publicitária demonstra isto mesmo: "Em qualquer guerra entre o homem civilizado e o selvagem, apoie o homem civilizado. Apoie Israel. Derrote a Jihad."

O nosso papel enquanto palestinianos é o de estarmos atentos às distorções do discurso e de combatermos esse discurso. Se o conseguirmos, será muito mais difícil para alguém como Benjamin Netanyahu humilhar o povo palestiniano e a chamada "liderança" palestiniana perante o congresso americano, como este fez muito recentemente.

A forma correcta de resistência?

Embora não haja dúvida de que, no seio da sociedade palestiniana, todas as formas de resistência à opressão têm de ser respeitadas e valorizadas, é importante não se deixar levar pelo discurso ocidental, especialmente quando muitos de nós entre a juventude da nação já estão expostos a ele através dos meios da comunicação social, da internet ou dos estudos no estrangeiro.

É falsa a ideia de que só existe um meio "correcto" de resistência ou de que a resistência armada e popular é contraditória (ou pelo menos carece de evidência histórica) quando simplesmente nos debruçamos sobre a história colonial (Argélia, África do Sul, etc.).

A prioridade nos dias de hoje, efectivamente, deveria ser de englobar amplamente todos os movimentos, grupos e indivíduos na reivindicação de criar uma nova instituição de liderança legitimada que represente todos os palestinianos independentemente da sua proveniência. Essa entidade deveria ser capaz de identificar democraticamente (e internamente) a forma de resistência mais eficaz.

Nos artigos referidos acima, os participantes palestinianos nos protestos populares são muitas vezes citados da seguinte forma: "Se alguns adolescentes atiraram pedras, é porque falharam aparentemente em assimilar os workshops sobre a não-violência que os organizadores planearam", e porque eles "insistem em que nunca se atiraram pedras até que as tropas israelitas começassem a lançar gás lacrimogéneo, e que isso é feito apenas por adolescentes".

Essas declarações mostram os manifestantes palestinianos como sendo apologistas do gesto simbólico de atirar pedras – e isso acontece em detrimento de se questionar a presença das forças de ocupação de Israel.

A história mostrou que o uso de uma extrema violência por parte de Israel é uma constante – quaisquer que sejam as acções violentas ou não-violentas dos palestinianos. É fundamental compreendermos que através dos anos da nossa luta contra o sionismo e o colonialismo, a resposta sionista às várias formas de resistência foi, na sua essência, sempre a mesma: a violência.

Há sessenta anos, há quarenta anos, durante a primeira e a segunda Intifadas, e durante as recentes marchas "pacíficas", a resposta israelita foi sempre a violência e a efusão de sangue. Jovens homens e mulheres têm sido abatidos com munições reais e de borracha, espancados com cassetetes e sufocados com gás tóxico.

Seria ingénuo esperar que a resposta israelita fosse diferente no futuro, como também não seria preciso resistir de forma não-violenta para mostrar a horrenda face da ocupação israelita, uma vez que isso é demonstrado em qualquer simples acção do dia-a-dia dos palestinianos.

Independentemente da nossa estratégia, Israel continuará a negar a nossa existência como nação, não admitirá a limpeza étnica realizada em 1948 e continuará com as suas medidas repressivas de opressão contra os palestinianos em todo o lado.

A nossa tarefa consiste em concentrarmo-nos nas semelhanças e nos pontos de acordo respeitantes à resistência e não nas diferenças.

O povo palestiniano tem de mobilizar à sua volta para resistir ao apartheid israelita através de um programa resultante de uma discussão no seio de uma entidade verdadeiramente representativa, o que só é possível através de eleições directas para um novo Conselho Nacional Palestiniano.

Versão original do artigo em:

http://english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/06/201162895553754742.html

Tradução do Comité de Solidariedade com a Palestina

sábado, 20 de agosto de 2011

PSB APÓIA O ESTADO DA PALESTINA JÁ



Nota Oficial do PSB a favor do Estado da Palestina
Partido Socialista Brasileiro - PSB

Internacional - 19/08/2011

O Partido Socialista Brasileiro – PSB, no seu manifesto de 2005, postulou sua política externa com os seguintes princípios: “...autodeterminação dos povos, pelo fortalecimento dos organismos internacionais, contra todas as formas de imperialismo, colonialismo e belíssimo, nelas incluídas as propostas hegemônicas das grandes potências”. A política externa do PSB está fundada nos princípios da soberania e a autodeterminação dos povos. Nesse sentido o PSB reconhece no conflito Israel-Palestina uma das mais importantes questões das relações internacionais contemporâneas, com reflexos sobre a estabilidade política de todo o oriente médio e impactos negativos à qualidade de vida de milhares de pessoas que ali vivem.

A perspectiva socialista exige que observemos as questões humanitárias, acima da agenda geopolítica que orienta a ação das potências mundiais naquela região. Um povo sem lar, oprimido pelo mais forte, não pode ser deixado à sua própria sorte. É mister para as forças internacionais de esquerda e socialista apoiarem a causa palestina.

É necessário recordar que, ainda no final do século XIX, a Palestina estava sob o domínio do Império Turco-Otomano, até que, ao final da Primeira Guerra Mundial, passa para domínio britânico. De outra parte, na Europa crescia o número e a força de grupos que perseguiam os judeus. Nesse contexto, ganha força o movimento Sionista que defendia a criação de um Estado judeu.

Em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas - ONU aprova resolução de Partilha da Palestina, que determinava a criação de dois Estados, um Judeu e um Palestino. Desde então, o processo de ocupação do território gerou milhares de refugiados palestinos, e, como reação a esse processo, cria-se, ainda na década de 60, a Organização para a Libertação da Palestina – OLP. Em 1974, a ONU convida a OLP para participar, como observadora, dos trabalhos da Assembléia Geral da organização.

As várias tentativas de negociações entre israelenses e palestinos, muitas vezes com a interferência dos Estados Unidos e Europa, não conseguiu trazer uma solução para uma estabilidade política da região. Quem mais tem perdido com essas negociações são o povo e o movimento de resistência palestina. Atualmente, diante da desigualdade abissal de forças com relação ao seu vizinho, o Povo Palestino precisa da ajuda, urgente, da comunidade internacional. O Brasil, desde o governo do Presidente Lula, tem se posicionado posicionou favoravelmente à criação do Estado Palestino com as fronteiras de 1967.

O Partido Socialista Brasileiro não se cala diante de tamanha opressão e desrespeito aos direitos humanos desse povo. Por isso, apóia a campanha pela Criação do Estado da Palestina Já, que busca mobilizar a opinião pública diante da votação que se realizará na ONU, em setembro de 2011, da resolução que reconheça o Estado Palestino como membro pleno da organização.

Assim, o PSB convoca os militantes socialistas a comporem em seus estados, comitês estaduais dessa Campanha pelo Estado Palestino Já! que conta com o apoio de dezenas de organizações políticas e sociais de esquerda. Com isso, o partido reforça a confiança nas fileiras socialistas, com a força da utopia e garra na busca contínua da equidade, para fazer ecoar esse grito de liberdade em toda a sociedade brasileira. Até a votação na ONU, devemos nos mobilizar para promover esse debate, apresentando a convicção em nossa perspectiva socialista.

Direção Nacional do Partido Socialista Brasileiro.



VIA CAMPESINA BRASIL EM DEFESA DO POVO PALESTINO




O POVO PALESTINO TEM O DIREITO DE TER O SEU PRÓPRIO ESTADO,
LIVRE, DEMOCRÁTICO E SOBERANO!!!
ESTADO DA PALESTINA JÁ!!!

Nós, trabalhadoras e trabalhadores dos diversos movimentos e organizações que fazem parte da Via Campesina Brasil, mais uma vez reafirmamos nosso total apoio e solidariedade com a justa e legítima luta do povo palestino.

O colonialismo israelense sempre foi parte da tentativa do imperialismo de sufocar as legítimas lutas de libertação nacional e por transformações sociais que se desenvolveram em diversos países do mundo.
Inspirados numa ideologia conservadora, racista e antidemocrática, o sionismo, os sucessivos governos do Estado de Israel violam cotidianamente os direitos inalienáveis do povo palestino.

Infelizmente a ONU, que se pretende defensora dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, não tem feito mais do que aprovar centenas de resoluções de condenação, reprovação e denúncia contra o Estado de Israel que nunca se transformam em ações concretas. Sob a proteção dos países imperialistas, como EUA, França, Inglaterra e seus lacaios, os mais brutais e violentos crimes são cometidos todos os dias contra a população que vive nos territórios ocupados em 1948 e em 1967.

As “Forças de Defesa de Israel” e todas as outras instituições do aparato repressor colonialista israelense são hoje conhecidas no mundo pela sua covardia e pela prática de genocídio e terrorismo contra o povo palestino e contra todos os que se rebelam em defesa de um Estado Palestino.

Nosso grande desafio é transformar essa indignação diante da violência do governo de Israel num gigantesco movimento social e político de massas de caráter internacional, que faça recuar esse monstro nazi-sionista.

A coragem, a sabedoria e as mobilizações do povo palestino são hoje símbolos e exemplos da resistência popular contra toda injustiça praticada em qualquer lugar do mundo.

O grito de Pátria Livre se faz ouvir em todo o território palestino. Judeus, cristãos, muçulmanos e todas as forças democráticas, progressistas e antiimperialistas dentro e fora da Palestina se mobilizam em um movimento unificado contra o inimigo de toda a humanidade: o governo do Estado de Israel e seus aliados, o imperialismo dos Estados Unidos e da União Européia.

Diante das novas manifestações populares na Palestina, a Via Campesina Brasil vem manifestar sua admiração e sua solidariedade com esse heróico povo, conclamando @s brasileir@s para:

1. Defender o direito legítimo do povo palestino de lutar contra a ocupação israelense e pela constituição do Estado da Palestina, bem como apoiar a campanha da Autoridade Palestina pelo reconhecimento do Estado da Palestina como membro pleno da ONU;

2. Apoiar as decisões soberanas do povo palestino e suas legítimas organizações políticas e sociais no que diz respeito ao caráter do Estado e às fronteiras. Acreditamos que tais decisões serão resultado das lutas e do processo de debate no interior das forças da resistência palestina, portanto, consideramos que não cabe a nós a decisão sobre como deve ser e qual será o caráter do Estado Palestino;

3. Fortalecer a luta pela libertação d@s pres@s polític@s que vivem hoje nos cárceres por participarem da legítima luta de libertação nacional palestina;

4. Fortalecer a luta em defesa dos camponeses, trabalhadores rurais e pescadores, que perderam o direito à terra, à água, ao trabalho e à liberdade com a ocupação colonialista israelense;

5. Intensificar a luta contra o Tratado de Livre-Comércio MERCOSUL-Israel, uma vergonha para o povo brasileiro, pois tal tratado estimula o comércio com um país que não respeita as resoluções da ONU, os direitos humanos e o direito internacional humanitário, além de possibilitar, para Israel, a exportação de produtos dos assentamentos judeus-sionistas que estão hoje ilegalmente nos territórios palestinos de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental;

6. Intensificar, no Brasil, a campanha pelo boicote e desinvestimento contra Israel, para impedir a compra de produtos deste país que pratica hoje um regime de apartheid contra o povo palestino. Boicotar a importação de produtos e/ou serviços, bem como propor também o boicote acadêmico e cultural contra esse país é mais uma forma de lutar pelo fim do apartheid de Israel;

7. Denunciar e lutar contra a compra, por parte dos governos estaduais e do governo federal (em especial as Forças Armadas e o Ministério da Defesa), de equipamentos militares, aviões não-tripulados, veículos blindados, armas e munições israelenses, pois esse tipo de comércio só alimenta e fortalece o complexo industrial-militar israelense-estadunidense, uma indústria que tem lucrado com o assassinato de milhares de pessoas em diversas partes do mundo;

8. Lutar contra o bloqueio econômico, político e militar imposto por Israel ao povo de Gaza, território palestino ocupado que luta cotidianamente e heroicamente pela sua libertação. Fortalecer a solidariedade com Gaza é tarefa de tod@s. Precisamos fazer um esforço para organizar uma missão humanitária de solidariedade à Gaza, com representantes de diversas organizações políticas e sociais da classe trabalhadora brasileira;

9. Intensificar a pressão sob o governo brasileiro para que o mesmo dê um tratamento digno e possa amparar de maneira mais intensa e efetiva os refugiados palestinos que se encontram hoje no Brasil, principalmente os 150 palestinos que saíram do Iraque e ficaram em um Campo de Refugiados na Jordânia, e que se encontram hoje no Estado de São Paulo;

10. Pressionar o governo brasileiro para que o mesmo se utilize de todos os mecanismos disponíveis na Carta das Nações Unidas e outras resoluções internacionais para exigir do governo de Israel que cumpra a decisão do Tribunal Internacional da ONU de derrubar o “muro da vergonha”, que tem cerca de 700 km de extensão e separa o povo palestino, configurando uma situação de apartheid que priva dos palestinos o direito de ir e vir;

11. Discutir com o governo brasileiro ações mais intensas e mais concretas de apoio, estímulo e cooperação para implementar projetos de desenvolvimento econômico, social, cultural e esportivo na Palestina. O Brasil tem condições de dar apoio material e financeiro para garantir melhores condições de vida e de trabalho para o povo palestino. Algumas das propostas da Via Campesina Brasil são: construir as condições para que o Brasil e a América do Sul se transformem em espaços para a comercialização dos produtos dos camponeses palestinos e para intensificar as ações de apoio ao esporte na Palestina, principalmente o futebol, nas modalidades masculino e feminino.

12. Apoiar as lutas dos judeus e israelenses que lutam contra o sionismo e contra a ocupação da Palestina, pois existem dentro do Estado de Israel forças políticas e sociais progressistas, democráticas e anti-colonialistas que são constantemente reprimidas por defender os direitos inalienáveis do povo palestino;

13. Defender o direito de todos os refugiados palestinos de retornarem para sua terra/pátria, bem como o direito de serem reparados pelas perdas que tiveram durante a ocupação militar israelense;

14. Apoiar as mobilizações populares que visam desencadear uma “Terceira Intifada” contra a ocupação israelense. Também acreditamos que só a luta de massas pode alterar radicalmente a correlação de forças nas lutas políticas e sociais.

15. Para discutir como realizar concretamente tais ações propomos organizar um Encontro Nacional de Solidariedade ao Povo Palestino. A Via Campesina Brasil e demais organizações da classe trabalhadora estão convocando este encontro para os dias 26 e 27 de novembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes – ENFF, na cidade de Guararema - São Paulo.

Sabemos que o campo de batalha decisivo nesta luta são as ruas, bairros, cidades, vilas, vales e montanhas da Palestina ocupada, e cabe a nós fortalecer as forças vivas da resistência popular palestina.

Sigam em frente irmãos e irmãs palestinos, com uma oliveira numa das mãos e uma pedra na outra, lembrando sempre de sua história, de sua origem e de sua tarefa: lutar permanentemente contra o sionismo e o governo de Israel, mesmo estando em condições bastante desiguais frente ao inimigo-agressor.

Quem não cansa de lutar semeia a cada dia o caminho da vitória. A Palestina será livre, justa e soberana. Esse é o seu caminho e o destino de seu povo. Liberdade e terra para o povo palestino.

VIA CAMPESINA BRASIL: Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF, Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB, Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, Movimento das Mulheres Camponesas – MMC, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, Movimentos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, Pastoral da Juventude Rural – PJR.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Israel compra votos en la ONU ante la posible aceptación del Estado Palestino



81 miembros del Congreso de EE.UU. visitarán Israel en las próximas tres semanas

Herb Keinon
JPost/ICH

11/08/2011

Traducción del inglés para Rebelión por Germán Leyens


Jerusalem Post – Ochenta y un congresistas, cerca de un 20% de la Cámara de Representantes, visitarán Israel dentro de las próximas tres semanas durante el receso de verano del Congreso. El primer grupo de 26 demócratas debe llegar el lunes.

La delegación demócrata será seguida por dos republicanas, con un total de 55 republicanos.

La mayoría de los representantes son congresistas nuevos. 47 de los que van son exactamente la mitad de los republicanos elegidos en 2010.

Para muchos de ellos, será su primer viaje a Israel.

Los viajes, de una semana de duración, son patrocinados por la Fundación de Educación Estadounidense-Israel, una organización benéfica afiliada al Comité de Asuntos Públicos Estadounidense-Israel [AIPAC], que lleva a grandes delegaciones de congresistas a Israel cada mes de agosto.

El líder de la mayoría demócrata en la Cámara Steny Hoyer (Demócrata de Maryland) encabezará la delegación demócrata, y el líder de la mayoría de la Cámara Eric Cantor (Republicano de Virginia) dirigirá uno de los grupos republicanos.

Hoyer dijo en una declaración que se alegra de “retornar a Israel para seguir aprendiendo de primera mano sobre el desarrollo de la situación de la seguridad en Medio Oriente, los profundos desafíos que enfrenta Israel, y el papel que EE.UU. puede jugar en la región durante este tiempo de incertidumbre.

“Estoy feliz de que miembros del Congreso tengan esta oportunidad de estudiar los intereses estadounidenses en Medio Oriente y obtengan un entendimiento más profundo de los temas involucrados en la creciente estabilidad en la región”.

La delegación visitará Israel y Cisjordania, y planea encontrar al presidente Shimon Peres y al primer ministro Binyamin Netanyahu en Jerusalén, y al presidente de la Autoridad Palestina Mahmud Abbas en Ramala.

En la delegación que llegará el lunes están el congresista de Illinois Jesse Jackson Jr., Betty Sutton de Ohio, y Mark Critz de Pensilvania.

En una acción relacionada, el Proyecto Israel llevará a un grupo de 18 embajadores basados en Washington a Asia, Europa, África y Latinoamérica el lunes para un tour de una semana y reuniones de alto nivel. Como los congresistas, también irán a Ramala, para una reunión con el primer ministro de la AP Salam Fayyad.

Entre los países representados en el viaje están Albania, Barbados, Belice, Burkina Faso, La República Dominicana, Haití, Macedonia, St. Lucia y Uganda.

Algunos de estos países han sido mencionados por funcionarios en Jerusalén como posibles candidatos para votar contra, o por lo menos abstenerse, cuando tenga lugar el voto sobre la condición de Estado de Palestina ante la ONU en septiembre.

(Los enlaces dentro de este artículo han sido introducidos por Information Clearing House)

domingo, 14 de agosto de 2011

La proclamacion de un Estado palestino: probabilidades y consecuencias


aloufok.net

11/08/2011
Traducido para Rebelión por Susana Merino

El Centro Al-Zaytuna de investigaciones y consultas, sito en Beirut, dirigido por el doctor Mohsen Saleh, acaba de publicar un estudio de evaluación estratégica relativo al reconocimiento por parte de la ONU del Estado palestino en el próximo mes de septiembre, lo que se ha dado en llamar el “plazo de septiembre”.

Según dicho estudio de evaluación estratégica, no hay ninguna duda de que las reiteradas decepciones sufridas por los negociadores palestinos y el impasse en el que se encuentra el proceso de regularización, así como la falta de normas internacionales y la necesidad de concretar un logro, aunque sea moral, respaldan la idea de dirigirse a las Naciones Unidas para proclamar el Estado palestino y convertirse en miembro de pleno derecho. Pero para eso es necesario terminar con la división palestina sin tomar, sin embargo, medidas que pudieran suscitar la cólera israelí o estadounidense. Si la dirigencia palestina logra soportar las presiones de EE.UU. e Israel y prosigue su camino en dirección a la ONU, hará frente al veto estadounidense y a más de un obstáculo que podría desembocar en la anulación del proyecto o en su postergación. Por lo tanto la proclamación del Estado se va a analizar en diversos escenarios que podrían llevarla al éxito total o parcial o a su total fracaso. Esto no cambiará nada si la entidad sionista continua comportándose como actualmente como un “Estado al margen de la ley”.

Introducción

Los negociadores palestinos palestino se han enfrentado a una serie de decepciones a lo largo de los dos últimos decenios. A pesar de todas las concesiones realizadas no han obtenido nada, ya que el Estado sionista ha seguido sobre el terreno su política de hechos consumados, los proyectos de "judaización" y colonización de Cisjordania y especialmente de Jerusalén. En el momento en que el gobierno sionista trata de imponer el reconocimiento de la raigambre judía de la entidad sionista, los negociadores se han visto en la apremiante necesidad de concretar un logro sobre el terreno, especialmente en el marco de los cambios árabes. La dirigencia palestina ha propuesto entonces, dirigiéndose a las Naciones Unidas, la proclamación del Estado palestino como miembro pleno con el reconocimiento de las fronteras establecidas en 1967. Este tema ha suscitado en el mundo múltiples reacciones, diferentes análisis y explicaciones.

Antecedentes históricos

Los palestinos han intentado obtener su independencia desde la ocupación británica de Palestina. Durante la guerra de 1948, los palestinos proclamaron la independencia de Palestina el 1 de octubre de 1948, pero el dominio de la entidad sionista sobre el 77% de Palestina, la anexión de Cisjordania por parte de Jordania y el otorgamiento de la administración de la Franja de Gaza a Egipto impidieron la creación del Estado palestino. En 1964 se creó la OLP con el propósito de liberar toda la Palestina. Es lo que declara la Constitución Nacional Palestina de 1968.

Posteriormente la OLP aprobó un programa de diez puntos, basado en la idea de la creación de un Estado palestino sobre todo el espacio liberado de Palestina. Ese programa permitió la incorporación de la OLP a la ONU con carácter de observador.

El 15 de noviembre de 1988, la ONU proclama la independencia del Estado de Palestina y acepta la solución de los dos Estados. La ONU reconoce esa independencia mediante la resolución nº 177/43, fechada el 15 de diciembre de 1988. La Asamblea General acepta utilizar la palabra Palestina en lugar de OLP. En 1993, la OLP firma los acuerdos de Oslo y reconoce al Estado de Israel en 1996, El Consejo Nacional Palestino acepta suprimir de la Constitución palestina todos los artículos que generen conflictos con los acuerdos de Oslo, incluida la lucha armada. En 1998, la quincuagésima segunda sesión de la Asamblea General de la ONU acuerda a Palestina el privilegio de participar en las sesiones y los trabajos de la Asamblea General, así como el de participar en las conferencias nacionales convocadas por la Asamblea o el Consejo de la ONU, en su carácter de miembro observador.

Actitud palestina

Aunque la dirigencia palestina ha admitido el fracaso del proceso de regularización, ha continuado afirmando que las negociaciones constituyen una elección estratégica. Concibió el movimiento de septiembre como un complemento del proceso de regularización, y no como un paso “unilateral” como pretenden Israel y su aliado estadounidense. Mahmoud Abbas ha considerado que la victoria del trámite ante la ONU necesitaba la unidad palestina, aunque fuera una fachada y concluyó rápidamente el acuerdo entre Fatah y Hamás el 13 de mayo de 2011.

Por otra parte las fuerzas de la resistencia palestina no se hallan interesadas en discutir la obtención del estatuto de miembro pleno derecho en las Naciones Unidas en la medida en que no se logren concesiones relativas a los derechos de los palestinos. Consideran que el éxito de la reconciliación palestina y su efectos sobre el vencimiento de septiembre dependen de la capacidad de la dirección de la OLP de librarse de las presiones estadounidenses e israelíes y de desembarazarse de los intereses partidarios, sectarios y personales, anteponiendo el supremo interés nacional, cumpliendo con los artículos de la reconciliación incluida la reforma de la OLP, la elaboración de un proyecto nacional conjunto y la definición de una agenda nacional palestina.

Los posibles pasos palestinos

1.- La prosecución de la campaña diplomática dirigida a obtener el reconocimiento de la mayor cantidad de países del mundo y la movilización para lograr un apoyo de la Asamblea General de las Naciones Unidas para garantizar el de más de los dos tercios de sus miembros; hasta ahora 123 países sobre los 193 lo han hecho, de modo que todavía faltan 6 paíse para llegar a los 2/3.

2.- La redacción de un proyecto de resolución para que un amplio abanico internacional se adhiera en las Naciones Unidas, lo que podría evitar el veto de los EE.UU.

3.- El mantenimiento de la reconciliación sin introducir cambios en el escenario palestino que podrían suscitar la cólera israelí y estadounidense y que podría usarse contra el necesario clima favorable para la proclamación del Estado en las Naciones Unidas. Esto podría traducirse evitando la formación de un gobierno en el que Hamás tuviera un papel esencial en el nombramiento de sus miembros y en la toma de decisiones con respecto a la reforma de los aparatos de seguridad, la liberación de los detenidos y la libertad de acción de las instituciones vinculadas a Hamás en Cisjordania.

La actitud israelí

El gobierno de derecha israelí ha demostrado su incapacidad para proponer una iniciativa política de negociaciones aceptada por las partes palestina y árabe y que podría acercar a los negociadores a la mesa. Eso no ha impedido sin embargo que todas las fuerzas políticas israelíes unan sus fuerzas para movilizar a la opinión pública internacional contra el reconocimiento del Estado palestino en las fronteras de junio de 1967. Podemos resumir la actitud israelí en los siguientes puntos:

1.- El acuerdo entre los partidos israelíes sobre negociaciones dirigidas a imponer la visión israelí sobre la regularización (incluyendo los tres “no”) y la continuación de la política de hechos consumados sobre el terreno.

2.- Mantener un proceso de búsqueda de soluciones en el que la parte palestina se halle aislada, sin cobertura internacional ni legal e impedir que recurra a las Naciones Unidas como referente de las negociaciones.

3.- El hecho de que un gran número de países reconoce a Palestina es considerado por “Israel” como un avance diplomático favorable al problema palestino.

4.- La adhesión palestina a las Naciones Unidas reafirma que los territorios ocupados en 1967, que la parte israelí considera territorios en disputa, pertenecen a un Estado ocupado, según el reconocimiento de la ONU, lo que fortalece la postura jurídica palestina e internacional frente a Israel.

5.- Israel teme que el reconocimiento del Estado palestino aumente su propio aislamiento y amplíe la oposición internacional a sus prácticas.

6.- La adhesión de Palestina a las Naciones Unidas en calidad de miembro pleno no implica necesariamente cambios en el territorio de Cisjordania, pero puede constituir una oportunidad para aligerar el bloqueo de la Franja de Gaza.

Luego de la decisión palestina de dirigirse a la ONU, la diplomacia israelí ha lanzado una serie de amenazas que van desde el desencadenamiento de una guerra hasta la anulación de los acuerdos de Oslo.

Es evidente que el Estado sionista se halla en un impasse, y no puede avanzar con argumentos válidos anunciando la anulación del proceso de regularización, igual que el apoyo a sus prácticas represivas están en permanente retroceso en momentos en que el apoyo popular a la causa palestina crece en todo el mundo..

Los posibles pasos israelíes

1.- Continuar con la campaña para la anulación de la iniciativa palestina antes de septiembre.

2.- Presionar a la Autoridad Palestina mediante medidas punitivas.

3.- Utilizar la política de la zanahoria y el garrote con la dirigencia de la OLP y la Autoridad Palestina, usando instrumentos de presión en Cisjordnia o avanzando propuestas para una vuelta a las negociaciones.

4.- La utilización de su influencia sobre la administración estadounidense para ejercer presión sobre la dirigencia palestina.

El comportamiento internacional

Es necesario más bien insistir ante los Estados miembros permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU, susceptibles de admitir a Palestina en la ONU y capaces de anular el movimiento palestino utilizando el derecho a veto. Como también sobre la actitud de algunos influyentes Estados europeos. Rusia y China reconocen al Estado palestino, pero otros como EE.UU., Francia o Gran Bretaña, que mantienen relaciones diplomáticas con la OLP no lo reconocen. La actitud de la Unión Europea consiste en llamar a la reanudación de las negociaciones bilaterales con relación al plazo de septiembre como salida al desacuerdo existente entre los miembros de la UE.

Los Estados Unidos apoyan claramente la postura israelí. El Congreso ha votado una resolución que permite utilizar el derecho de veto a toda resolución que reconozca al Estado palestino, amenazando con la interrupción de la ayuda estadounidense a la Autoridad Palestina, lo que contradice la anterior posición de septiembre de 2010 del presidente Obama.

Consecuencias

1.- El triunfo de la proclamación del Estado palestino como miembro de las Naciones Unidas no tendrá probablemente ninguna consecuencia sobre el terreno, donde proseguirá la ocupación israelí con el apoyo estadounidense y la conducta israelí como la de un Estado al margen de la ley. Pero puede profundizar el aislamiento israelí.

2.- Si la dirigencia palestina fracasa en su intento de incorporarse a las Naciones Unidas debilitará la corriente adicta a las negociaciones en el escenario palestino en provecho de las fuerzas de la resistencia.

3.- El rechazo de las presiones estadounidenses sobre la dirigencia palestina se convierte en un riesgo de profundización de las sanciones económicas.

4.- La utilización del veto estadounidense sobre la iniciativa palestina probará nuevamente el alineamiento estadounidense con la nación israelí.

5.- Algunos analistas consideran que adquirir el estatuto de miembro pleno en las Naciones Unidas, a partir de la resolución de partición nº 181 puede consolidar la idea de la judeidad de Israel y de la internacionalización de Jerusalén como se ha mencionado en la resolución internacional.

Escenarios

1.- La OLP solicita el estatuto de miembro pleno a la Secretaría General de la ONU, la petición se transmite al Consejo de Seguridad, que aprueba el pedido de adhesión del Estado palestino con sus fronteras de 1967 y su capital en la parte oriental de Jerusalén y por lo tanto la Asamblea General de las Naciones Unidas aprueba la solicitud.

2.- Esa solicitud será objeto de veto por parte de los EE.UU. lo que significará el fracaso del pedido palestino.

3.- La OLP solicita la adhesión plena pero el Consejo de Seguridad aplaza la decisión por varias razones, por razones de orden, por una propuesta de modificación del texto, postergándola hasta que se llegue a un acuerdo sobre las modificaciones, lo que concluye anulando al proyecto en su totalidad.

4.- La OLP se dirige directamente a la Asamblea General de las Naciones Unidas solicitando la obtención de miembro no pleno, lo que no introduce cambios decisivos, si la OLP supera los 2/3, salvo en cuanto a la representatividad palestina de modo que se convierte en un Estado miembro observador.

5.- Aplazamiento de la gestión ante la ONU, si los israelíes presentan un conjunto de propuestas válidas para retomar las negociaciones como lo son el hecho de incluirlas en una parte del discurso de Obama sobre el Estado palestino.

Parece que las posibilidades varían en función de la manera en que piense presentar el pedido la dirigencia palestina Está claro que la OLP tendrá que afrontar el veto estadounidense (segundo escenario). Pero también puede recurrir al cuarto para evitar el enfrentamiento con la administración de Estados Unidos aunque sea para lograr una victoria formal, lo que dejaría abierta la puerta de las Naciones unidas para insistir y reclamar el estatuto de miembro pleno.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CUT APÓIA O FIM DOS ACORDOS MILITARES E ECONÔMICOS ENTRE BRASIL E ISRAEL


CUT participa das manifestações do 1º de Maio na Palestina ocupada

28/04/2011

João Felício manifesta apoio à luta contra o terrorismo de Estado de Israel

Por Leonardo Severo



O secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores, João Antonio Felício, representará a CUT na luta contra a ocupação militar e o terrorismo de Estado de Israel durante as comemorações do 1º de Maio na Palestina.

Na oportunidade, o professor João Felício estará acompanhado da secretaria-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI), Sharon Burrow, que cumprirão extensa agenda, que inclui reunião com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e as centrais sindicais palestina e israelense, além de visitas a ONGs locais. A viagem de solidariedade ao povo palestino foi proposta pelos dois dirigentes e aprovada na última reunião do Conselho da CSI, que também decidiu pela realização de um Seminário Internacional na região, no segundo semestre do ano.

“O povo palestino é um exemplo de coragem, determinação e heroísmo. Nossa visita tem um caráter simbólico de luta contra a opressão desse povo que, apesar de morar há milhares de anos na região, vem tendo o direito à sua Pátria sistematicamente negado”, declarou João Felício. O líder cutista lembra que historicamente as delegações de sindicalistas palestinos estão entre as mais aplaudidas nos congressos da CUT, que sempre reitera o apoio à causa da libertação, contra a ocupação criminosa e desumana praticada pelo Estado de Israel.

João Felício explicou que a CUT defende “medidas concretas que garantam a paz na região”, pois “é inadmissível ficar indiferentes ao brutal desrespeito aos direitos humanos do povo palestino”. A presença na Palestina, acredita, “ajudará a ampliar a pressão internacional para que se garanta a autodeterminação do povo palestino”. Na oportunidade, frisou, vamos reiterar nossa mais enérgica condenação às políticas de ocupação israelense, que ignoram as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU), numa agressão às normas do direito internacional e dos próprios direitos humanos.

Infelizmente, lembra o dirigente cutista, neste momento cerca de seis mil palestinos se encontram como presos políticos nas prisões israelenses, enquanto prosseguem em Jerusalém as demolições de casas palestinas e sua substituição por unidades habitacionais para colonos judeus. A construção do muro do “apartheid”, que mantém ilhados centenas de milhares de palestinos em bantustões – semelhantes aos que eram submetidos os negros na África do Sul -  e os constantes bombardeios a Gaza, também são absurdos e abusos criminosos que exigem de todos a solidariedade militante, com ações que possam contribuir de forma relevante para a construção da paz.

Em nota a CUT lamenta o fato do Brasil ser o terceiro maior consumidor de armas de Israel, que através do Plano de Estratégia Nacional de Defesa, do Ministério da Defesa, e dos acordos de armas, contribui indiretamente com as ações de ocupação do território palestino. A Central defende que “é necessário que o governo brasileiro suspenda os atuais acordos e negociações bilaterais econômicas/militares entre o Brasil e Israel. Sendo inadmissível que o Tratado de Livre Comércio entre MERCOSUL e Israel se torne uma realidade”.

sábado, 6 de agosto de 2011

Organização denuncia relações militares entre Brasil e Israel


sexta-feira 8 de abril de 2011

O governo brasileiro assinou contratos no valor de centenas de milhares de dólares com a indústria de armamento de Israel.

BDS - BOICOTE, DESINVESTIMENTO E SANÇÕES PARA ISRAEL


Palestina Ocupada, 30 de Março 2011 – No terceiro dia de Ação Global de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel que teve lugar no Dia da Terra Palestina (30 de Março), anunciamos a publicação do desconcertante e potencialmente explosivo relatório da ONG Stop the Wall (em português - em inglês) sobre as crescentes relações militares entre o Brasil e Israel.

Apesar do recente reconhecimento do Estado da Palestina pelo Brasil, e da sua longa tradição em apoiar os direitos palestinos e a lei internacional, o Governo Brasileiro assinou contratos no valor de centenas de milhares de dólares com a indústria de armamento de Israel.

O fato que Isarel continue a exercer, há já várias décadas, a brutal e ilegal ocupação de Gaza, recusando os direitos dos refugiados palestinos, aumentando descaradamente as políticas de apartheid, e rejeitando toda e qualquer tentativa internacional de atingir um justo acordo de paz com Palestinos e Árabes, não deteve o Brasil de se tornar um dos mais significativos importadores mundiais de armas israelitas, muitas das quais promovidas como “testes de campo”.

O documento de 30 páginas mostra detalhes dos programas assinados com Israel no valor de quase mil milhões de dólares. Israel, por sua vez, reforçou a sua presença na indústria de armamento brasileira através de aquisições, joint ventures e parcerias estratégicas. 

Os esforços israelitas para obter um amplo estabelecimento no Brasil e, desta forma, penetrar também noutros países progressistas sul americanos não é mera coincidência. O Brasil mantém actualmente uma representação das suas forças armadas em Tel Aviv e recentemente assinou um acordo de cooperação de segurança entre com Israel, que permite a este último fazer negócios a um nível de segurança classificado “elevado”. A indústria militar israelita diz que de momento estão a ser preparados contratos no valor de vários milhares de milhões de dólares para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil. Das sete empresas noticiadas nos jornais que se encontram em competição para obtenção de contratos, seis têm ligações provadas com crimes de guerra israelitas e/ou são suspeitas de estarem envolvidas em actividades de espionagem.

As principais empresas de armamento israelitas activas no Brasil – a Indústria de Aviação Israelita (IAI) e os Sistemas Elbit – para além de estarem directamente envolvidas no fornecimento de armamento ao exército de ocupação israelita, a ser usado para cometer o que o relatório das Nações Unidas “Goldstone” classifica como “crimes de guerra” e possíveis crimes contra a Humanidade, estão também implicadas na construção do Muro na Cisjordânia e na construção de infra-estruturas para colonatos, ambas violações graves do IV Acordo de Genebra e do Parecer Consultivo de 2004 do Tribunal Internacional de Justiça. Por exemplo, espingardas israelitas Tavor produzidas no Brasil são desenvolvidas e testadas durante ataques do exército israelita contra cidades palestinas sob ocupação.



Nota do Blog Sanaúd-Voltaremos: O relatório completo  da ONG Stop the Wall denunciando as relações militares entre Brasil e Israel foi publicado no Blog em 03 de abril de 2011

Além desse relatório, o Blog Sanaud-Voltaremos publicou mais 6 artigos sobre as relações militares entre Brasil e Israel:


02  -  03  -  04  -  05  -  06  - 07 




 


Comentário da Stop the Wall:

“Entrar em negócio com a indústria de armamento israelita põe seriamente em questão o apoio do Brasil aos direitos do povo palestino, pois estes contratos garantem que as guerras, ocupação e colonização israelitas continuem a gerar lucros. Mais: estes laços militares põem em questão o compromisso do governo brasileiro em apoiar os direitos humanos, paz e criação de um Estado Palestino e parecem contradizer as actuais alianças brasileiras e interesses na região. É preocupante que o Brasil entregue o dinheiro dos impostos dos seus cidadãos às empresas de armamento israelitas. O Brasil não pode conciliar a cumplicidade com as graves violações da lei internacional por parte de Israel e as aspirações a potência mundial emergente, defensora do respeito pela Lei Internacional e pelos Direitos Humanos.”

O Comité Nacional Palestino para o Boicote, Desinvestimento e Sanções (BNC) reitera o seu apelo ao governo brasileiro para que este acabe com todos os laços militares com Israel, pedindo:

a não ratificação e cancelamento dos acordos de cooperação de segurança com Israel; 

o encerramento imediato do posto das forças armadas brasileiras em Israel; a alteração dos regulamentos de contratos do exército brasileiro, de forma a que empresas que violam o direito internacional sejam excluídas dos concursos;

que seja assegurado que empresas envolvidas em violações do direito internacional sejam impedidas de se estabelecerem em território brasileiro através de meios indirectos, como aquisições de empresas, joint ventures ou licenças; 

que seja assegurado que empresas que violam o direito internacional sejam excluídas de contratos para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, pois não pode ter “fair play” o desporto que recompensa criminosos de guerra.

* Membros do BNC:

Council of National and Islamic Forces in Palestine General Union of Palestinian Workers Palestinian General Federation of Trade Unions Palestinian NGO Network (PNGO) Palestinian National Institute for NGOs Federation of Independent Trade Unions Global Palestine Right of Return Coalition Occupied Palestine and Syrian Golan Heights Initiative General Union of Palestinian Women Union of Palestinian Farmers Grassroots Palestinian Anti-Apartheid Wall Campaign (STW) National Committee for Grassroots Resistance Palestinian Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI) National Committee to Commemorate the Nakba Civic Coalition for the Defense of Palestinian Rights in Jerusalem


A Questão Palestina e as Relações Internacionais



Marcelo Buzetto[1]


Resumo

Este artigo tem como objetivo principal estimular uma reflexão crítica sobre a Questão Palestina e as Relações Internacionais, buscando esclarecer uma série de mitos que foram sendo construídos pelos meios de comunicação de massa em torno do conflito entre o Estado de Israel e as forças políticas e sociais que representam a legítima resistência do povo palestino na luta pela criação de um Estado Nacional Laico e Democrático.

Optamos em fazer um resgate histórico sobre a origem e o desenvolvimento do Sionismo, ideologia nacionalista conservadora e racista que serviu de base para seduzir uma parte considerável da comunidade judaica internacional e sensibilizá-la para a necessidade de criação de um “lar nacional para os judeus na Palestina”. Pretendemos mostrar que o conflito em questão não é entre judeus e muçulmanos, até porque muitos membros da comunidade judaica defendem o direito dos palestinos de terem seu próprio Estado. 

Também observamos que a posição intransigente, agressiva e antidemocrática dos sucessivos governos do Estado de Israel tem sido o elemento fundamental que impede a realização de uma verdadeira paz justa entre palestinos e israelenses. O constante desrespeito a inúmeras Resoluções da ONU referentes à Questão Palestina por parte do Estado de Israel retirou do mesmo a credibilidade necessária para a resolução política, pacífica e diplomática deste conflito. 

Terminamos o artigo fazendo um breve relato de uma viagem realizada na Palestina ocupada durante os meses de maio e junho deste ano, momento em que uma frota de barcos com ajuda humanitária para a população de Gaza foi brutalmente atacada por soldados israelenses.

Introdução

A questão palestina sempre tem sido tema importante na análise dos conflitos regionais e das relações internacionais, principalmente quando o assunto é o chamado Oriente Médio. Judaísmo, Cristianismo e Islamismo nasceram e se desenvolveram na Palestina. No Brasil temos hoje entre 15 e 20 mil palestinos. 

Desde o início dos anos oitenta tem crescido em nosso país um movimento de solidariedade com a causa palestina que atravessa as barreiras ideológicas, políticas, partidárias e religiosas. É possível encontrar sindicatos filiados a diversas centrais sindicais (Central Única dos Trabalhadores-CUT, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB, Central Sindical-Popular Coordenação Nacional de Lutas – CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, Força Sindical, entre outras) assinando manifestos e participando da organização de atos e mobilizações de apoio a luta pela criação do Estado Palestino. 

Desde os anos oitenta a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) possui escritório de representação diplomática em Brasília, que hoje já tem status de Embaixada, é a Embaixada da Palestina no Brasil, que foi uma ação concreta de reconhecimento de vários governos brasileiros à legitimidade dessa luta por independência e libertação nacional.

Também entre os diversos partidos políticos brasileiros o apoio aos palestinos é grande, principalmente entre os partidos de centro-esquerda, progressistas e de esquerda. A defesa da criação de um Estado Palestino consta nos programas partidários ou aparece em discursos e manifestos das lideranças.

Se fizermos um levantamento entre parlamentares brasileiros, certamente também encontraremos deputados estaduais e federais, senadores e vereadores em todos os Estados que, de alguma maneira, expressam ou já expressaram sua solidariedade contra as arbitrariedades que são cometidas pelo Estado de Israel nesses 62 anos de ocupação militar estrangeira.

Também percebemos a existência de vários Comitês de Solidariedade à Luta do Povo Palestino, em vários Estados do Brasil. Em São Paulo, nos últimos anos, foi criada a Frente de Defesa do Povo Palestino, com a participação de movimentos populares, partidos, movimento sindical, movimento estudantil, etc.

Os estudantes brasileiros e suas organizações, seja a União Nacional dos Estudantes (UNE) ou a Associação Nacional de Estudantes Livre (ANEL), apesar de divergirem em vários temas da política interna, estão unidos neste tema da política internacional. Entre os movimentos de trabalhadores, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Via Campesina (movimento internacional de trabalhadores rurais e camponeses) tem enviado delegações em missões humanitárias na Palestina. Inúmeros religiosos, judeus, cristãos (das mais diversas denominações) ou muçulmanos também no Brasil se encontram para homenagear este povo e denunciar o constante desrespeito aos direitos humanos praticado pelos sucessivos governos israelenses. 

Nos últimos anos o governo brasileiro abriu uma Embaixada junto a Autoridade Nacional Palestina (ANP), com sede em Ramallah, na Cisjordânia. Todas essas iniciativas demonstram que existe no povo brasileiro e em suas organizações políticas e sociais a disposição de fortalecer a luta pelo estabelecimento do Estado Palestino. 

Escrevemos este pequeno texto para estimular a reflexão crítica sobre a questão palestina, deixando de lado o preconceito contra um povo que busca de maneira legítima a sua libertação. Infelizmente, neste início de século XXI, ainda somos obrigados a nos defrontar com essa situação injustificável, que é a negação dos direitos nacionais a um povo que vive há séculos naquela região. 

Esperamos contribuir com o debate ao mesmo tempo que reforçamos a necessidade de ações concretas de solidariedade, pois ser internacionalista é lutar, como já foi dito, contra toda e qualquer forma de injustiça, cometida contra qualquer cidadão, em qualquer lugar do mundo (Ernesto Che Guevara).

Os meios de comunicação de massa (ou de desinformação em massa) costumam tratar a Questão Palestina como um conflito entre “judeus e muçulmanos” ou entre “árabes e israelenses”. Os árabes-palestinos sempre aparecem nos grandes veículos de comunicação como terroristas, pessoas sanguinárias, fanáticos religiosos que se explodem cometendo atentados em várias partes do Oriente Médio.

Quais são os verdadeiros motivos que fazem com que a Palestina, região onde nasceram as três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo), seja palco de uma guerra onde as vítimas são crianças, idosos e demais membros da população civil que enfrentam todos os dias as agressões de um exército invasor que desrespeita os direitos humanos e as resoluções da ONU desde 1948?

A localização estratégica

A Palestina é um território de 27.000 km2 que se localiza entre o Egito, Líbano, Síria e Jordânia, tendo um vasto litoral com saída para o Mar Mediterrâneo. Pelo sul da Palestina chega-se ao Golfo de Ácaba, que levará qualquer navegante ao Mar Vermelho, Golfo de Áden, Mar da Arábia, golfo de Omã e Oceano Índico.

Do ponto de vista econômico, político e militar, sua localização é estratégica. A Palestina fica no centro do mundo, na divisa entre a África e a Ásia, e bem próxima da Europa. Por isso tal território sempre foi alvo de invasões ao longo de sua história. A região também sempre foi importante rota comercial terrestre e marítima.

As origens do conflito atual: sionismo e imperialismo invadem a Palestina

Durante o final do século XIX a Palestina estava sob o domínio do Império Turco-Otomano. Na Europa e na Rússia cresce o número e a força de grupos que perseguiam os judeus (“pogroms”). Também nesse período surge um movimento nacionalista judaico chamado Sionismo, que adota esse nome em referência a uma colina de Jerusalém (Sion) onde havia sido construído o Templo de Salomão.

Um dos fundadores do movimento sionista foi Theodor Herzl (1869-1904). Herzl nasceu em Budapeste e estudou em Viena, duas cidades importantes do então Império Austro-Húngaro. Vinha de uma família de banqueiros, e elaborou sua concepção nacionalista judaica num livro chamado O Estado Judeu, publicado em 1896.

Em 1897, Herzl e outros adeptos do Sionismo se reúnem no I Congresso Sionista, em Basiléia, na Suíça. A resolução final do Congresso falava da criação de um “lar nacional para os judeus”, algo que já estava presente no livro de Herzl, apontando a Argentina ou a Palestina como os locais mais favoráveis para a realização de tal empreendimento.

A partir daí os sionistas correram o mundo para angariar recursos financeiros e apoio político para sua proposta. Herzl e seus seguidores vão estabelecer contatos com os governos da Inglaterra, da Alemanha, com o Império Turco-Otomano, com banqueiros, industriais e comerciantes judeus e não-judeus, visando fortalecer a idéia da necessidade de um Estado Judeu. A comunidade judaica européia se divide, e nem todos apóiam a idéia sionista, mas esse movimento consegue o apoio da burguesia judaica e de setores importantes da burguesia não-judaica européia.

Em seu livro Herzl já afirmava sua preferência pela Palestina, que chamava de “pátria histórica” dos judeus, e dizia que o Estado Judeu seria, “para a Europa, um pedaço de fortaleza contra a Ásia, seríamos a sentinela avançada da civilização contra a barbárie” (O Estado Judeu, p.66). Tal afirmação comprova o vínculo entre sionismo e imperialismo, pois o objetivo de Herzl era obter o apoio das potências imperialistas que dominavam o mundo, e em especial o Oriente Médio, para que a Palestina fosse entregue à burguesia judaica, para que a mesma transformasse esse território numa fortaleza militar contra o avanço do nacionalismo árabe e de possíveis movimentos antiimperialistas que cresciam no Oriente Médio do período pós-Primeira Guerra Mundial.

Com a derrota do Império Turco-Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), França e Inglaterra invadem o Oriente Médio e dividem entre si a região, ficando a Palestina sob o domínio britânico de 1918 a 1948. Nesse período o movimento sionista está consolidado, e sua ambição de construir um “lar nacional para os judeus” na Palestina ganha ainda mais apoio, devido ao massacre de judeus pelos nazistas na Europa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Criam-se, então, as condições favoráveis para a realização da profecia que Herzl e seus seguidores elaboraram em 1897: criar o “Estado Judeu” em cinqüenta anos.

Durante vários séculos os judeus haviam passado por um processo de assimilação, ou seja, haviam se integrado na comunidade nacional de vários países. Trabalhavam, estudavam, participavam da vida política, econômica, social e cultural de onde viviam, e muitos também se envolviam nas lutas por justiça, democracia, igualdade e em defesa dos trabalhadores contra a exploração do capital e do capitalismo.

O movimento Sionista divide a comunidade judaica e vai iniciar uma propaganda em defesa de um nacionalismo burguês conservador e com um conteúdo racista e anti-democrático. Basta ver a proposta de organização política do Estado Judeu defendida por Herzl. Diz ele: “Considero a monarquia democrática e a república aristocrática como as mais belas instituições políticas (...) Sou amigo convencido das instituições monárquicas porque elas tornam possível uma política permanente e representam o interesse ligado a conservação do Estado de uma família historicamente ilustre, nascida e educada para reinar (HERZL, 1998, p.111 e 112)”. 

Sua posição elitista e anti-democrática considera “o referendum como absurdo, pois, em política, não há questões simples que possamos resolver por um sim ou por um não. Aliás, as massas são ainda piores do que os parlamentos (grifo nosso) (...) Diante de um povo reunido, não podemos fazer nem política exterior nem política interior (...) A política deve ser feita do alto” (Idem, p.112).

Essa ideologia conservadora serviu de base para a instauração do Estado de Israel. Compreender o conteúdo racista e conservador do sionismo é fundamental para que possamos explicar a posição atual do governo de Israel em relação ao povo palestino.

Três idéias foram fundamentais para convencer milhares de judeus a emigrar para a Palestina:
1) que a Palestina era uma “terra sem povo” e os judeus eram um “povo sem terra”; 2) que a Palestina é a “pátria histórica” dos judeus; 3) que os judeus são o “povo eleito” por Deus.

Essas idéias fizeram com que banqueiros e grandes empresários judeus contribuíssem para a criação da Companhia Judaica, empresa de colonização com o objetivo de comprar terras para instalar colônias judaicas na Palestina. Durante os anos 20 e 30 do século XX o crescimento dessas colônias deu início a uma série de conflitos entre judeus sionistas e árabes-palestinos. Nos anos 40 o movimento sionista começa a organizar grupos terroristas como o Irgun, Stern e Haganah, que fazem ações armadas e atentados contra a população árabe-palestina, com a intenção de intimidá-los através da violência, fazer com que abandonem seus lares, suas propriedades e suas aldeias.

O Sionismo se organiza de quatro maneiras: 1) politicamente: através de várias organizações nacionais e internacionais que visam buscar apoio político de governos para seu projeto colonialista; 2) economicamente: buscando recursos financeiros de empresários e banqueiros judeus e não-judeus para a instalação de colônias na Palestina; 3) militarmente: organizando grupos terroristas/paramilitares para espalhar o pânico entre a população árabe-palestina, grupos que, depois de 1948, se transformam nas Forças Armadas de Israel; 4) culturalmente: através da difusão, pela indústria cultural, de idéias que buscam justificar a dominação territorial da Palestina e o direito “histórico e sagrado dos judeus” de ocupar aquela região[2].

Em 1947, como resultado de uma articulação política internacional dirigida por representantes das potências imperialistas (EUA, Inglaterra e França) e do sionismo internacional, e com o apoio da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e das recém criadas “repúblicas socialistas” do Leste Europeu, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprova a Partilha da Palestina, que deveria criar naquela região dois Estados, um Judeu e um Palestino. 

O Estado Judeu ficaria com 56,4% do território, o Estado Palestino ficaria com 42,9%, e 0,7%, correspondente à cidade de Jerusalém, seria administrado pela ONU, por ser local sagrado para cristãos, judeus e muçulmanos. Além de receber a maior parte do território palestino, o Estado Judeu ficou com as terras mais férteis. No ano da partilha (1947), a população árabe-palestina era maioria absoluta em 15 dos 16 subdistritos existentes. 

Somente em Jaffá a maioria da população era formada por judeus. Eram 1.310.000 de árabes-palestinos-muçulmanos e 630.000 judeus. Quem coordenou a votação na Assembléia Geral da ONU foi o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, ex-Ministro das Relações Exteriores. 

Orientado pelo governo brasileiro para acompanhar o voto dos EUA, Aranha adiou por dois dias a votação, para que o lobby sionista e estadunidense pudessem convencer outros países sobre a necessidade da criação do Estado Judeu. No dia 29 de novembro de 1947 a votação foi a seguinte:

Favoráveis: África do Sul, Austrália, Bélgica, Bolívia, Brasil, Bielo-Rússia, Canadá, Costa Rica, Checoslováquia, Dinamarca, Equador, Estados Unidos, Filipinas, França, Guatemala, Haiti, Holanda, Islândia, Libéria, Luxemburgo, Nicarágua, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, República Dominicana, Suécia, Ucrânia, União Soviética, Uruguai e Venezuela.

Contra: Afeganistão, Arábia Saudita, Cuba, Egito, Grécia, Iêmen, Índia, Irã, Iraque, Líbano, Paquistão, Síria e Turquia.

Abstenções: Argentina, Chile, China, Colômbia, El Salvador, Etiópia, Honduras, Iugoslávia, México, Reino Unido. (GATTAZ, 2002, p. 94 e 95).

Em 14 de maio de 1948 os britânicos deixam a Palestina e é fundado o Estado de Israel. Desde os primeiros dias de sua existência, o governo sionista impediu a criação do Estado Palestino, desrespeitando com isso a resolução 181 da ONU, que previa a constituição de dois Estados. 

Tem início a Guerra da Palestina, onde de um lado está o Exército Sionista-Colonialista de Israel e, de outro, a população palestina, que desde esta época luta pela sua libertação, pela criação de um Estado Laico e Democrático, onde possam viver em paz judeus, cristãos e muçulmanos, onde seja garantido aos indivíduos o direito de decidir e manifestar livremente suas posições políticas e/ou religiosas.

Portanto, desde 1948 o povo palestino vive uma tragédia: foram expulsos de suas terras e de suas casas, e tiveram suas propriedades roubadas ou destruídas pelo chamado Exército de Defesa de Israel. Vilas e cidades palestinas vêm sendo constantemente destruídas durante os 62 anos da Nakba (“A tragédia”). Milhares de pessoas seguiram o caminho do exílio e os refugiados palestinos já chegam a 5 milhões. E, ainda assim, milhares seguem resistindo dentro dos territórios ocupados por Israel.

Em 1967, o expansionismo israelense se intensifica. Novas colônias e assentamentos judeus-sionistas são criados em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém, agora tomada militarmente pelo exército colonialista, em mais um desrespeito às resoluções da ONU sobre a questão palestina. Além disso, Israel ocupa militarmente as colinas de Golan, que são da Síria, e a Península do Sinai, do Egito. A única resolução da ONU que Israel respeitou até o momento foi a da sua própria criação.

Israel segue hoje como o único país do Oriente Médio com armas nucleares, ou seja, armas de destruição em massa. Fala-se de 200 ogivas. Mordehai Vanunu, físico nuclear israelense, que denunciou o programa nuclear de Israel, comprovando sua finalidade bélica, ficou 18 anos na prisão, sendo 16 na solitária, depois foi para a prisão domiciliar, com proibição de se comunicar com qualquer estrangeiro por quaisquer meios. Em 2010 voltou para a cadeia, acusado de tentar fazer contato com membros do Movimento pelo Fim das Armas Nucleares no Oriente Médio.

A ofensiva de 1964 a 1988 e o legítimo direito do povo palestino à resistência diante do colonialismo israelense

A resistência palestina já desenvolveu as mais diversas formas de luta. Mas foi nos anos sessenta do século XX que o movimento de libertação nacional palestino adquiriu importância internacional, conquistando espaços junto a organismos internacionais, governos e representações diplomáticas de vários países, sendo apoiado pelo bloco de países socialistas do Leste Europeu (Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Bulgária, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia), pela Albânia, pela China, pelo Vietnã, pela Coréia do Norte, pela URSS, pelo Movimento dos Países Não-Alinhados[3] e pela Liga Árabe[4]

Todo esse apoio internacional à causa palestina produziu inúmeras resoluções da ONU e condenações ao Estado de Israel, e gerou uma conjuntura favorável para que a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) fosse convidada a falar na Assembléia Geral da ONU em 1974, quando Yasser Arafat fez um discurso histórico para um plenário majoritariamente a favor do cumprimento das várias Resoluções sobre a Questão Palestina. 

Arafat afirmava que o mundo necessita de esforços tremendos para que se realize as suas aspirações de paz, liberdade, justiça, igualdade e desenvolvimento para que a sua luta seja vitoriosa contra o colonialismo, imperialismo, neocolonialismo e racismo em todas as suas formas, inclusive o sionismo(...) 

"Nossa revolução é também para os judeus, como seres humanos. Lutamos para que judeus, cristãos e muçulmanos possam viver em igualdade, gozando os mesmos direitos e assumindo as mesmas responsabilidades, livres da discriminação racial e religiosa (...)  
Sou um rebelde e a liberdade é a minha causa. Bem sei que muitos dos presentes aqui hoje se ergueram na mesma posição de resistência que ocupo hoje e de onde devo lutar. Um dia vocês tiveram que converter sonhos em realidade em sua luta. Portanto, agora vocês devem compartilhar o meu sonho, o nosso sonho de um futuro de paz na terra sagrada da Palestina (...)  
Apelo a todos vocês que permitam que o nosso povo estabeleça soberania nacional independente sobre a sua própria terra. Hoje eu venho portando um galho de oliveira e uma arma dos lutadores pela liberdade. Não permitam que o galho de oliveira caia de minha mão (...) (ARAFAT, 2007, p. 87, 105 e 107.)
                Em novembro de 1974 a Resolução da ONU 3237 convida a OLP para participar, na condição de observadora, dos trabalhos e sessões da Assembléia Geral, se transformando numa imensa vitória diplomática daquela que seria reconhecida como a única e legítima representante do povo palestino.

Entre 1964 e 1988, a OLP conduziu o processo de mobilização anti-colonialista e desencadeou uma incrível luta de libertação nacional que deu esperanças para as massas populares de todo o mundo árabe. 

Criada pela Liga Árabe, a OLP vai adquirindo autonomia/independência deste organismo, até conquistar plenamente o direito de decidir sobre muitas questões relacionadas à luta palestina sem consultar e/ou concordar com as posições dos governos de países árabes. 

Essa maior autonomia ampliou o apoio e garantiu mais legitimidade da OLP entre a classe trabalhadora e as massas populares palestinas e árabes. Enquanto uma frente de cerca de 10 partidos políticos (nacionalistas laicos/nasseristas[5] e comunistas/socialistas), a OLP seguia como a única e legítima representante do povo palestino. 

Sem dúvida é a organização política mais antiga e mais importante na história do movimento de libertação nacional palestino. Dentro desta frente estão os partidos da esquerda palestina, como a Frente Democrática pela Libertação da Palestina (FDLP), a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e o Partido do Povo Palestino (PPP). Mas o partido político que sempre ocupou o espaço de força política hegemônica no interior da OLP foi o AL-FATAH (ou simplesmente FATAH), ou Movimento de Libertação Nacional, agrupamento nacionalista laico sob a liderança de Yasser Arafat. 

Já o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), que governa e que tem mais força política na atualidade em Gaza, nunca fez parte da OLP. Criado em 1987 com apoio da burguesia árabe-islâmica, de governos do Oriente Médio e de organizações como a Irmandade Muçulmana, o Hamas representa uma das principais forças do nacionalismo islâmico, corrente política em franca ascensão nos diversos países árabes. Além do apoio de setores importantes da burguesia árabe-islâmica e governos como o do Irã, esse partido político possui hoje uma base social muito forte entre trabalhadores empregados, subempregados e desempregados dos territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia. Nos anos noventa do século XX surgem outros atores no interior do movimento de libertação nacional palestino, como a Jihad Islâmica, partido político que também está fora da OLP.

Além de partidos políticos e organizações político-militares, os palestinos tem organizações de juventude, camponeses, trabalhadores, operários, mulheres[6], entre outros. 

Nos últimos vinte e dois anos o movimento da resistência palestina tem priorizado a luta de massas, a mobilização social enquanto principal forma de luta contra as arbitrariedades e a violência praticada pelo governo do Estado de Israel. 

Toda sexta-feira, em várias cidades da palestina ocupada, o povo palestino sai em marcha das mesquitas ou praças até o muro que foi construído para separar os palestinos, muro que foi construído ilegalmente por Israel. 

Esse muro tem hoje cerca de 500 quilômetros de extensão e dez metros de altura. Nessas marchas há sempre confronto com o Exército e a polícia israelenses, pois a manifestação pacífica é sempre reprimida e resulta em grande número de palestinos feridos ou mortos, como nos episódios na cidade de Ni´lin, uma comunidade no interior da Cisjordânia conhecida pela sua disposição de luta e pela organização de atos semanais em repúdio ao que chamam de “o Apartheid de Israel”[7]

No entorno de Ni´lin foram construídos assentamentos judeus em terras palestinas, e parte do território que era utilizado pelos camponeses palestinos para cultivar oliveiras foi ocupado pelos colonos sionistas com apoio da polícia e do exército israelenses. 

Esses colonos recebem treinamento militar e autorização para usar armas de fogo e organizar suas próprias milícias que, com pistolas automáticas e fuzis, ameaçam constantemente a população de Ni´lin e de outras cidades e vilas vizinhas aos assentamentos. 

É comum encontrar nas cidades e regiões sob o controle do Estado de Israel jovens, homens e mulheres, com roupas civis, às vezes vestidos até com bermudas, camiseta e sandália, e com um fuzil pendurado no ombro e uma mochila com munição. Nas ruas, nos ônibus, nas escolas, etc.

A Questão Palestina e o fim da URSS e do Bloco Socialista: início de um período de defensiva

De 1988 a 1994, novos personagens surgem e o fim da URSS e do Bloco Socialista desencadeia uma crise também no interior da esquerda palestina. A AL-FATAH empurra a resistência palestina para a mesa de negociação, mas em condições bastante desfavoráveis para o povo palestino. 

A existência de um bloco de países “socialistas” foi fundamental para fortalecer a posição dos palestinos no cenário internacional, pois essa aliança entre URSS e Bloco Socialista com o Movimento dos Países Não-Alinhados e a Liga Árabe era a garantia de vitória em muitos embates no interior da ONU, fato que contribuiu para que a legitimidade desta luta de libertação nacional fosse acumulando cada vez mais força, resultando em sucessivas condenações do Estado de Israel. 

Infelizmente, as centenas de decisões contrárias à política expansionista/colonialista de Israel não se transformaram em ações concretas e contundentes da ONU, o que só fortaleceu a idéia de ineficiência e desinteresse dos que controlam essa instituição quando o assunto é fazer com que um grande aliado das potências imperialistas cumpra as resoluções aprovadas pela Assembléia Geral ou pela Comissão de Direitos Humanos. 

O empenho de países como EUA, França, Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha (só para falar de alguns) para que se cumpram Resoluções da ONU muda de acordo com o réu. Se for Israel, total cumplicidade, morosidade e inaplicabilidade da lei, mas sé é o Iraque de Saddam Hussein após distanciamento deste governante dos EUA, então, faça-o cumprir rigorosamente as determinações da ONU, nem que para isso seja preciso matar 100 mil civis iraquianos, como ocorreu em 1991 no ataque militar contra Bagdá.

O fim da URSS e do chamado “Bloco Socialista” tem um profundo impacto nas relações internacionais e no movimento nacional de resistência palestina. A força da esquerda no interior da OLP advinha também das relações e do apoio que esse setor tinha com o “mundo socialista”, e da intervenção conjunta desses países nos diversos organismos da ONU. Além disso, os palestinos tinham, até 1991, dois grandes aliados de sua causa no Conselho de Segurança da ONU: URSS e China. As condições eram muito mais favoráveis para aqueles que defendiam a imediata construção do Estado Palestino.

Com o argumento de que precisa adquirir maior credibilidade e dar mais uma demonstração de que está disposta a fazer concessões em seu programa original se isso, de fato, for contribuir para o avanço do processo de paz, a OLP altera seu estatuto em 1988, e reconhece o direito do Estado de Israel existir, ao lado de um Estado Palestino, conforme a Resolução 181, de 1947. Ou seja, a OLP reconhece pela primeira vez a legitimidade do Plano de Partilha da Palestina, antes apresentado pela organização como sendo um instrumento da aliança do sionismo com o imperialismo para ampliar sua influência e exercer a dominação territorial de uma parte estratégica do Oriente Médio. 

Esta posição da OLP encontrou resistência entre os próprios palestinos, mas as forças que se opuseram a tal mudança de posição se encontravam em situação de minoria, e não conseguiram impedir a vitória dessa proposta, que parte de Yasser Arafat e da direção majoritária de seu partido, a AL-FATAH. Mesmo dentro desse partido surgem posições contrárias as de Arafat, o que prova que precisamos observar, no estudo do caso palestino, as contradições e conflitos não só entre o Estado de Israel e as organizações árabes-palestinas, mas também entre as próprias organizações da resistência palestina.

Os “acordos de paz” firmados com Israel em 1994 alimentam ilusões e ignoram a natureza expansionista/imperialista deste Estado, que negocia e, ao mesmo tempo, faz crescer o número de colônias judias nos territórios palestinos ocupados em 1948 e 1967. 

Além disso, Israel aplica até hoje uma política de assassinatos seletivos de lideranças políticas palestinas, e de perseguição e prisão em massa. Um resultado dessa política de repressão intensa e permanente são os 8 mil presos políticos palestinos, alguns vivendo nos cárceres israelenses há pelo menos 20 anos. Desses 8 mil, mais de 700 estão condenados a prisão perpétua. 

Entre 1993 e 2005, apesar de inúmeras reuniões, conferências e acordos firmados entre a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e o governo do Estado de Israel, e apesar das expectativas de uma paz duradoura apresentadas pelo presidente palestino eleito em 1996 com 87% dos votos, Yasser Arafat, o que se viu foi uma continuada violação dos direitos humanos e dos direitos fundamentais do povo palestino, assim como a negação do direito nacional à independência e à soberania, deixando ainda mais distante o sonho do Estado Palestino Laico e Democrático. 

Os dois signatários dos acordos de Oslo de 1993 morreram. Yitzhak Rabin, pelo lado israelense, assassinado por fundamentalistas judeus-sionistas em 1995 e Yasser Arafat, pelo lado palestino, morre em 2004 resultante de problemas de saúde (mas surgem denúncias que afirmam ter sido conseqüência de envenenamento gradativo). 

Esses acordos livraram os palestinos do controle militar israelense em algumas cidades e vilarejos de Gaza e Cisjordânia, criando para a população uma situação melhor do que a anterior, com melhores condições para se desenvolver o comércio, a indústria, a agricultura, educação, a saúde, a cultura e o esporte, enfim, para que seja possível construir/reconstruir uma vida cotidiana com um mínimo de dignidade, mas essa nova situação não resolve plenamente grande parte dos problemas econômicos, sociais e políticos da ampla maioria do povo palestino. 

Os resultados pífios dos acordos e o não cumprimento da quase totalidade dos termos dos mesmos por Israel levam a uma nova situação de impasse que coloca em xeque as posições da direção da OLP e da agora chamada Autoridade Palestina (AP). O não cumprimento de diversas cláusulas dos acordos, entre elas a suspensão da construção de novos assentamentos judeus e da demolição de casas palestinas ajudam a diminuir a credibilidade que parcela do povo palestino depositava na AL-FATAH, ainda mais com as constantes denúncias – que muitas vezes são comprovadas – de corrupção de líderes e membros desta organização.

É nessa conjuntura complexa que ganha projeção como uma alternativa política o partido Hamas. A crise política, ideológica e organizativa dificulta a ascensão da esquerda palestina (FPLP, FDLP,PPP e outros) como força majoritária no movimento de libertação nacional. As denúncias de corrupção e de enriquecimento de muitos dos dirigentes demonstram um processo de degeneração em setores importantes da AL-FATAH. As eleições de 2006 contribuem para acirrar as disputas internas no movimento da resistência palestina, com Hamas vitorioso em Gaza e AL-FATAH na Cisjordânia. A esquerda palestina tem procurado convocar todas as forças progressistas, populares, democráticas e socialistas a se unir num grande movimento nacional de resistência para desencadear novamente uma ofensiva contra as medidas do governo de Israel que visam a acelerar o processo de expropriação de terras do povo palestino, mas parece que todo esse esforço ainda tem sido insuficiente para alterar a correlação de forças dentro e fora da OLP. 

Quando do ataque militar israelense a Gaza, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, essa idéia de unidade nacional das forças da resistência palestina adquiriu grande importância, mas até agora parece que existem muitos fatores que ainda impedem que tal proposta volte a ser transformada em realidade. 

A impressão é que uma unidade política e programática mínima, em torno de alguns pontos de consenso amplamente discutidos com o povo palestino, seria fundamental para tentar se desencadear uma nova ofensiva política, popular e de massas contra o Estado de Israel. 

A ação unitária de forças como a AL-FATAH, FPLP, FDLP, PPP, Hamas, Jihad Islâmica e demais organizações e partidos políticos palestinos poderia fazer ressurgir nas amplas massas populares do mundo árabe – e no interior de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém – a esperança e a disposição necessárias para uma nova retomada da ofensiva deste que é, sem dúvida, um dos mais importantes movimentos de libertação nacional deste início de século 21. 

O que temos certeza para afirmar é que, por mais justo, combativo, corajoso e coerente que seja um partido ou uma organização da resistência palestina, de maneira isolada não terá capacidade para impor nenhuma derrota contra o sionismo israelense. 

Talvez essa unidade entre as três correntes políticas da resistência nacional palestina (nacionalismo laico, nacionalismo islâmico e socialistas/comunistas) possa construir uma frente anti-sionista/antiimperialista que obrigue o Estado de Israel a sentar na mesa de negociação numa outra correlação de forças, fazendo surgir daí as condições mais favoráveis para se apresentar propostas mais ousadas que as atuais, que privilegiam o debate de dois Estados, menosprezando a experiência histórica dos últimos 62 anos que indica que o sionismo não irá recuar um único milímetro em suas conquistas militares de 1948 e 1967. 

É possível perceber que sobre este tema existem pelo menos três posições:

Os que defendem a criação imediata de um Estado Palestino Laico e Democrático na chamada Palestina Histórica (em todo o território considerado Palestina antes do Plano de Partilha de 1947): nossa impressão é que tal opinião desconsidera a atual correlação de forças no interior do movimento nacional palestino e entre os palestinos e o Estado de Israel, fazendo de tal proposta mais um instrumento de agitação e propaganda do que uma possibilidade real no momento. É a defesa da estratégia, do objetivo principal a ser atingido sem a mediação das táticas, dos meios e caminhos que levarão até esse objetivo final. E os palestinos sabem que agitação e propaganda são insuficientes para fazer com que triunfem posições que possam levar a profundas transformações econômicas, sociais e políticas naquela região. Organizações nacionalistas islâmicas também defendem tal proposta, com a ressalva de que não se utilizam da expressão Estado Laico, mas simplesmente Estado Palestino.

Os que defendem a posição de dois estados existindo um ao lado do outro, ou seja, o cumprimento do Plano de Partilha da Palestina elaborado pela ONU em 1947. Essa opinião defende que o Estado de Israel já se consolidou, e agora, portanto, é necessário construir o Estado Palestino. Tal posição abandona o programa original da OLP e os princípios que orientaram a resistência palestina de 1947 a 1994. Entre 1993 e 2005 esta tem sido a proposta da AL-FATAH e outras organizações palestinas. É o abandono da estratégia, é a transformação do meio em fim;

Os que defendem que é preciso acumular forças no atual período da luta nacional palestina. Que é necessário se organizar melhor para defender e fazer avançar as conquistas já obtidas como resultado das lutas e mobilizações sociais e populares, tentando fortalecer tudo aquilo que tem de positivo nos acordos firmados até agora, criticar e denunciar aquilo que não é de interesse do povo palestino e, ao mesmo tempo, tentar consolidar o controle palestino sobre todo o território de Gaza e da Cisjordânia. Nesse sentido seria importante intensificar as lutas: pela libertação dos presos políticos, pelo direito ao retorno dos refugiados, pela destruição do “Muro da Vergonha”, pelo cumprimento das Resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, em especial sobre o estatuto de Jerusalém, pelo direito dos palestinos de resistir à ocupação militar israelense por todos os meios de que dispõem, para barrar as construções de novos assentamentos judeus-sionistas, para impedir as demolições de casas de palestinos, etc. Essa posição política procura fazer destas e outras lutas parte de um processo de acúmulo de forças que vai construindo no cotidiano as condições mais favoráveis para colocar o movimento nacional palestino na direção do rumo estratégico indicado: um Estado Palestino Laico e Democrático em toda a Palestina Histórica.

Muitos líderes históricos do Estado de Israel já manifestaram no passado o objetivo do movimento sionista em conquistar todo o território da Palestina. Alguns pronunciamentos confirmam esta finalidade:

“Jerusalém é o berço do judaísmo e a legítima capital de Israel (...) A partir de hoje, Tel Aviv deixa de ser nossa capital. Jerusalém será sede de nossa nação” – Ben Gurion (foi Primeiro Ministro e Ministro da Defesa de Israel), criticando a Resolução da ONU de 07 de dezembro de 1949, que reafirmava que Jerusalém deveria estar sob o controle desta organização internacional, como previa o Plano de Partilha de 1947 (NIMITZ, 1974, p. 110).
“Eu sou a favor da partilha do país porque quando nós nos tornarmos uma grande potência, depois do estabelecimento do Estado, iremos abolir a partilha e nos espalhar pela Palestina” – Ben Gurion (Gattaz, 2002, p. 104). 
“O Estado judeu que agora é oferecido para nós não é o objetivo sionista. Dentro desta área não é possível resolver a questão judaica. Mas pode servir como uma etapa decisiva em direção à implementação do sionismo. Irá consolidar na Palestina, no menor tempo possível, a real força judaica que irá nos levar a nosso objetivo histórico” – Ben Gurion (Idem, 2002, p.104). 
“Tal como existe atualmente, Israel é apenas uma parte do ‘Grande Israel’ (Eretz Israel), e a missão sionista permanece incompleta até que Israel recomponha suas ‘fronteiras históricas’ (...) O mapa de Israel precisa ser modificado. Cabe a vocês lutarem sem trégua a fim de estabelecer, por invasão ou diplomacia, o Império de Israel” – Ben Gurion, em discurso para estudantes da Universidade Hebraica (ALENCASTRE, 1968, p. 149 e 150). 
“Entre o Mediterrâneo e as fronteiras do Iraque, no que foi outrora a Palestina, existem agora dois países, um judeu e um árabe, e não há espaço para um terceiro. Os palestinos devem encontrar a solução para seu problema junto com aquele país árabe, Jordânia, porque um Estado Palestino entre nós e a Jordânia só pode se tornar uma base da qual será ainda mais conveniente atacar e destruir Israel” – Golda Meir (foi embaixadora de Israel na URSS, Ministra do Trabalho, Ministra das Relações Exteriores e Primeira-Ministra de Israel), demonstrando sua completa oposição à criação de qualquer “Estado Palestino”, inclusive o sugerido pela ONU (MEIR, 1982, p. 299).

                “Nosso povo está incumbido de preparar a guerra, e o exército israelense de dirigir o combate    
                  com o fim de construir o império israelense” – Mosche Dayan (foi Ministro da Defesa e Ministro  
                  as Relações Exteriores de Israel) (ALENCASTRE, 1968, p. 149).

Tais declarações de figuras bastante influentes do movimento sionista demonstram as intenções        dos sucessivos governos do Estado de Israel. Orientados por idéias colonialistas e racistas, que acreditam num suposto “povo eleito” para governar toda a Palestina histórica, não fazem concessões quando o tema diz respeito ao direito do retorno dos refugiados palestinos expulsos em 1948 e 1967, ou quando se exige o fim de novos assentamentos judeus em território palestino, ou ainda a desocupação e desmonte de assentamentos que estão em situação irregular e ilegal de acordo com a Resolução 181 da ONU (Plano de Partilha de 1947).
               
Impressões de uma viagem à Palestina

Entre maio e junho deste ano (2010) estive conhecendo várias cidades na Palestina. Junto com Dafne Melo, jornalista do periódico Brasil de Fato, fomos para Tel-aviv, Jerusalém e Haifa, cidades atualmente sob o controle do Estado de Israel, e Ramallah, El-Bireh, Belém, Ni´lin, Bil´in, Beat-Sahour, Hebron e vários vilarejos na Galiléia (Sakhnin, Al Abbasiyah e outras), todas cidades e vilarejos concentrados na Cisjordânia, considerada na atualidade como território palestino com certa autonomia em relação ao Estado de Israel. 

Nossa viagem foi resultado de um processo de diálogo e cooperação com organizações sociais e políticas que defendem o direito do povo palestino de construir seu Estado. 

Fomos convidados para participar da 2ª. Conferência de Haifa (organizada por movimentos da esquerda árabe-israelense e palestina, por intelectuais progressistas e professores e estudantes da Universidade de Haifa e outras instituições acadêmicas). 

As principais resoluções desta conferência foram: 1.Criar uma comissão para dar seqüência aos debates e encaminhamentos aprovados; 2.    Elaborar um documento final da Conferência; 3.Organizar a IIIa. Conferência de Haifa em 2011, na Turquia, para facilitar a participação dos refugiados palestinos; 4.Organizar encontros de solidariedade com o povo palestino em todos os países das delegações presentes, com sugestão de data para a semana do dia 29 de novembro, dia internacional de solidariedade ao povo palestino; 5.Fortalecer a luta pelo boicote aos produtos israelenses; 6.Fortalecer a luta contra a manutenção do bloqueio à Gaza; 7.Fortalecer a luta pela libertação dos presos políticos palestinos; 8.Defender a constituição de um Estado Palestino Secular e Democrático na Palestina Histórica. 

Durante o encontro, aproveitamos para conhecer melhor o trabalho de organizações como a União dos Comitês de Trabalhadores Agrícolas, a União dos Comitês de Mulheres Palestinas, o Comitê de Acompanhamento e Apoio aos Presos Políticos, a União dos Comitês de Saúde Palestinos, o Comitê Popular da Comunidade de Silwan (Jerusalém Oriental), o movimento de esquerda árabe-israelense-palestino Abnaa Al Balad Movement (Movimento Filhos da Terra), etc.

Os Palestinos em Jerusalém Oriental: o caso das demolições de casas em Al Bustan-Silwan

Em Jerusalém Oriental conhecemos a comunidade de Al Bustan-Silwan. Neste bairro, onde vivem 50 mil pessoas, a prefeitura iniciou um movimento de demolições de casas com o argumento de que por ali andava, no passado, o Rei Davi e, por isso, o governo e a prefeitura estão emitindo ordens de despejo e demolição de casas para a construção do Parque Rei Davi. 

Cerca de mais de 20 casas já foram demolidas, mas no projeto que tem serão pelo menos 88 moradias, de famílias que vivem lá desde antes de 1948.  Vimos uma casa que foi construída em 1850. Serão prejudicadas por esse projeto cerca de 1500 pessoas. Visitamos a sede do Comitê Popular de Silwan, instrumento de organização da resistência popular, com militantes de diferentes organizações e experiências de luta.

É uma ferramenta que está sendo construída em várias cidades e comunidades palestinas: os Comitês Populares. Na sede do comitê as faixas dizem: “Não vamos a lugar nenhum, continuaremos em Al-Bustan!”, “Não à judaicização, não à indenização!”, “Por nossa vida, lutaremos por nossa terra, símbolo de nossa dignidade e nosso orgulho!”. 

Segundo a prefeitura, todo o bairro é ilegal, apesar dos moradores apresentarem testemunhos e documentos comprovando que suas famílias vivem ali desde antes de 1948. A prefeitura tem um plano, Plano 20-20, para “limpar” Jerusalém dos palestinos-árabes-muçulmanos. É o que na atualidade as organizações de direitos humanos chamam de política deliberada de “judaicização de Jerusalém”.

O Comitê Popular não é contra judeus, nem contra parques, dizem as lideranças. Só querem viver em paz com suas famílias. Falaram das conseqüências sociais, humanas, econômicas e psicológicas que as demolições trazem para as pessoas. 

A maioria das pessoas só tem como patrimônio suas casas. Procuram melhorar suas condições de moradia, reformam e ampliam suas casas e, depois, vem o oficial de justiça, o funcionário da prefeitura, com apoio da polícia e do exército, e expulsam as famílias, dão o prazo de 48 horas para a família sair da casa. 

As crianças crescem nesse ambiente de destruição, de repressão, de conflito, e crescem se perguntando “por que os judeus querem nos expulsar? Expulsaram meus avós, e agora querem expulsar meus pais?”. 

No dia que estávamos lá as crianças e jovens tinham acabado de entrar em confronto com a polícia, e o bairro estava cercado por barricadas da resistência popular de Silwan. Foi impressionante ver a participação ativa e organizada das crianças e jovens, com o apoio dos pais e familiares, que incentivam a participação política deles nas lutas sociais por terra e pela independência. Percebemos que na Palestina é um orgulho para uma mãe ou para um pai ver seu filho participando e se destacando nas lutas populares contra a ocupação militar sionista.

Conversamos com moradores desse bairro que relataram que não podem sair de Jerusalém Oriental, que estão presos nessa região, pois não tem autorização para ir até o outro lado da cidade, não podem ir rezar na Mesquita de Al-Aqsa, por exemplo, um dos templos mais sagrado do islamismo. 

Eles podem até ver o lado Ocidental de Jerusalém, e até olhar à distância para a Esplanada das Mesquitas, mas não podem entrar lá. Vivem a poucos minutos da cidade velha, mas não podem circular por lá. A prefeitura vive reafirmando que o bairro é ilegal, mas cobra impostos dos moradores pelo tamanho da casa. 

Essa insegurança e incerteza permanentes, sobre a possibilidade de sua casa ser destruída, tem um grave efeito psicológico, pois ninguém pode viajar, ninguém quer se ausentar por dois dias ou mais, com medo de que, quando retorne, sua casa está demolida. 

Um morador nos relatou um caso concreto: um aluno muito estudioso começou a diminuir seu rendimento escolar, começou a ficar desanimado, perdeu o interesse pelo estudo. Um dia o pai foi chamado à escola, e a professora disse que encontrou na bolsa do aluno vários brinquedos e jogos, que ele levava todos os dias para escola. 

O pai chegou em casa e foi conversar com seu filho, perguntou o por que estava levando jogos/brinquedos para a escola? A criança respondeu que ouviu os pais falando que receberam uma intimação e que poderiam destruir sua casa a qualquer momento, e o menino entrou em pânico, ficou preocupado/angustiado, com medo, e disse que levava os brinquedos para que não fossem destruídos pelos tratores. 

Outra situação que se repete no bairro é o seqüestro de crianças pela polícia. Como este bairro se tornou um exemplo de luta e resistência, a polícia iniciou um processo de prisão/seqüestro de crianças e jovens, que gerou pânico e indignação entre as famílias. 

Os carros de polícia andam pelo bairro, pegam um jovem, levam para a delegacia, fazem um interrogatório, intimidam, querem nomes de lideranças, de organizações, pressionam, fazem uma tortura psicológica num primeiro momento, aí este jovem já fica conhecido, se for pego mais uma vez, pode ser indiciado, ser processado, ficar na cadeia. 

Muitos jovens desta comunidade são presos políticos. Alguns não ficam na cadeia, mas são monitorados e ficam em prisão domiciliar. Ouvimos também depoimentos de familiares de uma criança de 10 anos, um menino, que já havia sido preso pela polícia 3 vezes.

Nas terras palestinas da Galiléia: ocupação militar, demolição de casas e construção de novos assentamentos judeus

No dia 30/05 fizemos uma viagem por várias comunidades na Galiléia, por terras onde as famílias palestinas foram expulsas entre 1948 e 1967. Fomos até a cidade de Sakhnin, onde conhecemos uma obra do artista plástico Gershon Knispel (que atualmente vive no Brasil) num cemitério muçulmano, em homenagem aos mártires que foram assassinados por Israel durante a Intifada Palestina (rebelião popular, “o levante”). 

Fomos acompanhados por Ali Zbeidat, membro do Comitê Popular, uma ferramenta de luta e de organização da comunidade onde participam militantes de várias organizações palestinas. Sua casa está sob ameaça de demolição.  Várias famílias já foram várias vezes advertidas pela polícia e muitos de seus membros presos por resistirem à ordem de demolição. 

Com o apoio da comunidade, Ali e sua família se mantém no local onde viveram seus pais e avós. A comunidade está sendo sitiada/cercada por assentamentos judeus ilegais, pois o governo de Israel assumiu o compromisso com a comunidade internacional de não expandir determinadas áreas de assentamento, mas tal medida não vem sendo cumprida. 

Observamos muitas obras de expansão, muitas máquinas e novas construções de assentamentos, avançando à toda velocidade contra terras palestinas. Também visitamos uma vila árabe-palestina destruída em 1948, Al Abbasiyah, onde o povo foi sendo expulso e assassinado por terroristas da Haganá (organização terrorista sionista-judaica), que explodiram todas as casas do vilarejo. 

O povo que ficou na região foi tentando resistir, mas em 1967 aumenta a repressão contra esse vilarejo, chegando ao ponto de fecharem a Mesquita e proibir os palestinos de rezar. Várias manifestações foram feitas para garantir o direito de rezarem nessa Mesquita, mas foram reprimidas. 

Além disso, como forma de “estimular” a migração da população palestina que vivia em Al Abbasiyah, o exército israelense destruiu toda a plantação de oliveiras, arrancando as árvores com as raízes e plantando no lugar onde antes era o vilarejo com as oliveiras eucalipto e pinus, duas árvores que destroem toda a biodiversidade do local onde são plantadas. 

A Mesquita foi fechada, com cimento nas portas e janelas, com arame farpado e uma grade em torno dela, para impedir a entrada de pessoas. E toda a área do vilarejo pertence hoje a uma colônia judaica/ a um assentamento sionista. 

Na Galiléia também visitamos um acampamento de beduínos, que virou um vilarejo no alto de um vale, onde vivem cerca de 100 famílias, bem em frente a um assentamento judeu-sionista em expansão. Muitos se dedicam à agricultura e à pecuária (criação de cabras), ou procuram trabalho na cidade mais próxima (Sakhnin).

Em Hebron (Al-Khalil): palestinos proibidos de visitar o túmulo de parentes num cemitério muçulmano na cidade velha.

Hebron (Al-Khalil em árabe) existe há 4 mil anos. Possui cerca de 167 mil habitantes, entre árabes e judeus. A cidade foi ocupada por tropas israelenses em 1967, e assim teve início a construção de assentamentos judeus-sionistas. 

Em 1994, enquanto ocorriam as negociações de paz entre a OLP, colonos judeus-sionistas dos assentamentos invadiram a Mesquita de Abraão e atiraram no povo, dentro da Mesquita, enquanto todos rezavam. 

Dezenas de palestinos foram mortos neste dia. Na Mesquita de Abraão tomamos contato direto com um símbolo e um exemplo da tolerância muçulmana diante de outras religiões, pois visitamos a “Tumba de Abraão”, onde estão os restos mortais do profeta que foi o fundador da religião judaica. 

Para nossa surpresa, este monumento sagrado dos judeus foi preservado e protegido pelos palestinos durante a expansão do islamismo na região. Quem cuida e preserva  esse patrimônio histórico-cultural são árabes-palestinos muçulmanos. 

Durante a visita a esta cidade vivemos uma situação de causar indignação. Fomos andando pela parte mais antiga de Hebron. Chegamos num determinado local e o palestino que nos acompanhava disse: “Sigam por ali, entrem no bairro onde está hoje um assentamento judeu e nos encontramos do outro lado”. 

Seus familiares vivem há séculos na cidade, mas ele não pode ir para o outro lado da cidade por aquele caminho, tomado por tropas israelenses em 1967. É uma rua que começa com muito movimento e comércio, muita gente andando tranquilamente com suas famílias, como em qualquer cidade do mundo. 

Então andamos uns 150 metros adiante e vemos um check-point (posto de controle) do exército de Israel, dentro do centro da cidade, que faz parte do território palestino da Cisjordânia. A rua vai ficando vazia. Os soldados exigem documentos, revistam bolsas e pessoas, impedem a livre circulação, por determinação do governo do Estado de Israel. 

Muitos militares patrulham essa “fronteira” que separa o lado árabe-palestino do lado judeu-sionista da cidade velha de Hebron. Somos atentamente observados e acompanhados pela patrulha. Entramos no território onde hoje está o assentamento judeu-sionista. Andamos uns 500 metros e nos deparamos com um cemitério árabe-muçulmano abandonado, praticamente destruído após a ocupação militar israelense de 1967.

Desde essa data cidadãos palestinos de Hebron não podem mais visitar seus parentes enterrados neste cemitério. Neste lado controlado por soldados e por colonos armados vivem cerca de 500 famílias judias, onde antes viviam cerca de 5 mil famílias palestinas. 

Parecia uma cidade fantasma. Vazia, com casas e lojas fechadas, abandonadas, destruídas. Desde 1967, nesta parte da cidade, qualquer família judia têm autorização de ocupar qualquer casa ou comércio que ainda esteja vazio. Detalhe: casas e comércio nessa área são de propriedade dos palestinos, que foram expulsos em 1967 e nunca nem forem indenizados pelo governo israelense.

O bloqueio econômico e militar de Israel contra Gaza: mais uma violação dos Acordos de Paz e das Resoluções da ONU

Gaza é uma região onde vivem aproximadamente 1,5 milhões de pessoas, e se encontra numa situação difícil, pois é controlada militarmente por Israel. O Exército impõe um bloqueio econômico. Os soldados israelenses impedem a chegada de alimentos, remédios, mantimentos, materiais para infra-estrutura e controla Gaza por céu, terra e mar. 

Sufocam economicamente Gaza, tentam matar de fome os palestinos. Mas a impressão que temos é que essa postura ofensiva e agressiva de Israel só tem feito aumentar a solidariedade internacional com o povo palestino. 

A violência do Estado de Israel acabou obrigando que os palestinos desenvolvessem uma economia auto-sustentável. Nos territórios palestinos existe uma série de pequenas indústrias, comércios, pequena agricultura se desenvolvendo, tanto em Gaza como na Cisjordânia. 

São iniciativas para minimizar o sofrimento da população e tentar produzir o máximo de mercadorias dentro do seu território, para depender o menos possível de Israel e da importação de produtos dos países árabes.

Durante nossa viagem um grupo de internacionalistas vindos da Turquia, com uma pequena frota de barcos conhecida como “Frota da Liberdade”, que traziam remédios, alimentos e brinquedos, tentavam entrar no litoral de Gaza, território autônomo palestino desde 1994, após os acordos de paz firmados entre o governo israelense e a Autoridade Nacional Palestina. 

Composta por três navios que levavam 750 ativistas e três outros com 10 mil toneladas de carga para Gaza, foram interceptados em águas internacionais. Imagens e relatos de testemunhas mostraram a violência e intolerância dos soldados israelenses, que atiraram contra civis desarmados de dentro dos helicópteros e dos barcos que usavam para reprimir a missão humanitária de apoio ao povo de Gaza. Quando fizeram a abordagem e ingressaram no interior dos navios, novos disparos foram vistos e ouvidos por testemunhas que estavam a bordo.

Segundo a ONU, Israel não poderia impedir a livre circulação de pessoas e/ou mercadorias nessa região, já que não existe nenhuma lei ou resolução que permita que o Estado de Israel exerça o controle militar do litoral de Gaza.

O ataque das Forças Armadas israelenses à frota humanitária que levaria ajuda aos palestinos da Faixa de Gaza só explicitou mais uma vez a desobediência e o completo menosprezo dos sucessivos governos de Israel perante todas as resoluções da ONU relacionadas a este conflito e perante todos os tratados inspirados nos princípios do Direito Internacional Humanitário. 

Fica evidente, mais uma vez, a absoluta falta de compromisso e de interesse do governo israelense com uma solução política, pacífica e diplomática para a Questão Palestina.

Também a repressão contra os barcos que tentam entrar e sair desse território palestino se constitui em mais uma ação arbitrária e ilegal por parte das autoridades militares israelenses. Em 30 de maio uma operação das forças armadas de Israel contra os barcos que se dirigiam à Gaza resultou no assassinato de 9 pessoas, além de 16 feridos e vários presos. 

Tentamos entrar em Gaza, mas o rigoroso e ilegal controle militar israelense nos impediu de cumprir esse objetivo humanitário, pois nossa intenção era ver com os próprios olhos a destruição e o massacre promovido por Israel contra a população civil, que vem sofrendo inúmeras privações desde a última grande ofensiva militar israelense, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O fracasso dos Estados Unidos e da União Européia (UE) nas negociações de paz e a necessidade de novos interlocutores no cenário internacional

Enquanto EUA e UE estiverem no comando das negociações de paz entre palestinos e governo de Israel não existe possibilidade alguma de uma paz justa e da construção do Estado Palestino, pois eles representam os interesses do imperialismo e do sionismo, são os mais interessados na divisão de todos os povos que hoje vivem no chamado Oriente Médio e no mundo árabe-muçulmano. 

As potências imperialistas que sempre trouxeram dor e sofrimento para os povos daquela região estão incapacitadas de dar uma resposta progressista e humanitária à Questão Palestina.

É urgente construir uma articulação internacional que passe pelo Movimento dos Países Não-Alinhados, pela Liga dos Estados Árabes (Liga Árabe), pela União Africana, pela União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), pela Alternativa Bolivariana dos Povos da América – Tratado de Cooperação entre os Povos (ALBA-TCP) e pela Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos – CELAC, pois assim é possível tentar formar um grupo de países mais sensíveis aos problemas do povo palestino. 

Não podemos mais permitir que os representantes do colonialismo/imperialismo, responsáveis pelos conflitos e guerras que ocorreram - ou que ainda ocorrem – na região do Oriente Médio sejam os mesmos que vão ter o direito de continuar intervindo em questões fundamentais relacionadas aos direitos inalienáveis do povo palestino. 

É de causar indignação ver os símbolos dos EUA e da UE em projetos sociais e escolas dos territórios palestinos, pois os mesmos que hoje enviam alguns punhados de dólares e euros como forma de compensar a destruição causada por 62 anos de ocupação militar sionista, são os que nunca tiveram vontade ou coragem para barrar a máquina assassina israelense, que continua ceifando vidas de crianças e civis todos os dias, desfrutando de uma impunidade e de uma cumplicidade dos governos imperialistas e da ONU, que só sabe redigir Resoluções que nunca saem do papel, a não ser que seja contra países como Irã e Coréia do Norte.

Que o povo palestino possa construir nos próximos anos uma gigantesca e poderosa força social e política de massas, capaz de traduzir a justiça de sua causa e de unir todos aqueles movimentos e organizações que são as legítimas representantes das aspirações nacionais e sociais dos trabalhadores e trabalhadoras desta pátria que um dia há de ser verdadeiramente livre, independente e soberana.

BIBLIOGRAFIA

ALENCASTRE, Amílcar (1968). O desafio de Israel, Rio de Janeiro, Editora Leitura.
ARAFAT, Yasser e outros(2007). Soberania e Autodeterminação – A luta na ONU: discursos históricos, São Paulo, Expressão Popular.
BRAIA, Nathaniel (2002). O Apartheid de Israel – Racismo, agressão e usurpação: os focos do conflito atual, São Paulo, Alfa-Ômega.
GATTAZ, André (2002). A Guerra da Palestina – Da criação do Estado de Israel à Nova Intifada, São Paulo, Usina do Livro.
HERZL, Theodor (1998). O Estado Judeu, Rio de Janeiro, Garamond.
NIMITZ, Oscar (1974). Ben Gurion, Rio de Janeiro, Editora Três.
MEIR, Golda (1974). Minha Vida, Rio de Janeiro, Bloch Editores.



[1] Marcelo Buzetto é da Direção Estadual MST/SP. Doutor em Ciências Sociais pela PUC/SP, professor no curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), professor da Escola Nacional Florestan Fernandes, coordenador do Núcleo de Estudos Latino-Americanos (NELAM/CUFSA).

[2] Um livro interessante sobre a influência do sionismo na cultura e nas idéias é “A indústria do Holocausto – Reflexões sobre a exploração do sofrimento dos judeus”, do intelectual de origem judaica Norman Finkelstein (Editora Record).

[3] O Movimento dos Países Não-Alinhados é resultado da Conferência de Bandung, que ocorreu em 1955 na Indonésia. É um agrupamento de países que se uniram para defender o respeito à soberania, à autodeterminação das nações e a defesa de uma política externa independente, sem se submeter às imposições da URSS ou dos EUA, potências que disputavam o controle do mundo durante a Guerra Fria (1945-1991). Se reunem em torno deste movimento aproximadamente 115 países dos diferentes continentes.

[4] Criada em 1945 no Cairo, Egito, a Liga Árabe congrega 22 países, e tem se posicionado sempre favoravelmente à criação de um Estado Palestino.

[5] O nasserismo é uma corrente política que expressa as posições de um nacionalismo laico, inspirado no exemplo e nas idéias de Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que foi presidente do Egito entre 1954 e 1970.

[6] Destacamos a Union of Agricultural Work Committees (UAWC), a Palestinian Progressive Youth Union (PPYU), a Union of Palestinian Women Committees (UPWC), a Defence for Children Internatinal - Palestine Section, a  ADDAMEER-Prisioners Support and Human Rights Association, o Palestinian Centre for Human Rights, etc.

[7] Sobre este tema do apartheid, sugerimos o livro “O apartheid de Israel”, do jornalista de origem judaica Nathaniel Braia (Editora Alfa-Ômega).

Artigo publicado na Revista de Ensaios dos Cursos de Relações Internacionais e Economia – RECRIE, n. 01, dezembro/2010, Centro Universitário Fundação Santo André-CUFSA/Editora Porto de Idéias.

Seguidores: